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Mais de mim mesma

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Alfabeto do cinema clássico

Algo aconteceu quase um ano atrás: recebi o prêmio ABC – Awesome Blog Content – do meu amigo Rich do blog Wide Screen World. Mas só descobri isto semana passada! Por isso, sem mais demora, coloco meu vestido longo e vou receber meu já empoeirado prêmio. Como discurso de agradecimento, preciso contar uma coisa da minha vida com cada letra do alfabeto. Como cinema é minha vida, apresento meu alfabeto de cinema clássico:

Alfred Hitchcock: vou ficar muito chateada no dia em que tiver visto todos os filmes do Hitchcock, porque não haverão mais surpresas a serem desvendadas!


Buster Keaton: mestre do cinema mudo, dispensava dublês e fez algumas das melhores comédias de todos os tempos. É um dos ídolos da minha mãe.



Casablanca: talvez este seja o melhor filme de todos os tempos. Talvez seja “Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard”



Disney: obsessão até hoje. Minha porta de entrada para o mundo do cinema.


Eastwood: cowboy, matador, ator, diretor e até prefeito de uma pequena cidade. Este homem pode fazer tudo.


Fred Astaire: charmoso, protagonista de filmes deliciosos e um dançarino inigualável. Minha alma fica mais leve quando vejo Fred dançando.

Greta Garbo: o rosto mais belo de todos os tempos. Iniciou minha paixão pelos clássicos.


Henry Fonda: talentosíssimo. E com aqueles olhos azuis maravilhosos.


Irmãos Marx: Groucho, Chico, Harpo e Zeppo são sensacionais e sempre, sempre me divertem.


James Cagney: meu ator favorito!


Katharine Hepburn: minha atriz favorita!


Lillian Gish ou Lon Chaney: meus favoritos do cinema mudo <3 font="">


Musicais: filmes que me fizeram escapar de muitas tardes tristes


Noir: gênero que nunca cansa de me surpreender


Oscar: a melhor e mais emocionante noite do ano


Pre-Code: filmes ousados e deliciosos feitos entre 1929 e 1934


Que sera, sera: na voz de Doris Day, de preferência


Raft: ator sensacional que merece ser mais apreciado. Adoro-o em “Scarface” (1932)


Stanwyck: linda, talentosa e injustiçada no Oscar. Exemplo de vida e de perseverança.


Truffaut: quero voltar no tempo e ser melhor amiga do Truffaut. O amor deste diretor pelo cinema me encanta profundamente


Último Comando: “The Last Command”, de 1928, é um dos meus filmes mudos favoritos


Vicky Lester: personagem fictícia, protagonista de meu filme favorito de todos os tempos, “Nasce uma Estrela / A Star is Born” (1937)


William Powell: eterno par da Myrna Loy e ator sensacional


X: sempre antes da morte de algum personagem em “Scarface” (1932), um X aparecia projetado de alguma maneira no cenário. Martin Scorsese fez o mesmo em “Os Infiltrados / The Departed” (2006)



Yankee Doodle Dandy: filme de 1942 que deu o único Oscar a James Cagney. Como ele mesmo dizia: “Once a song and dance man, always a song and dance man”.



Zerelda: nunca vou esquecer que Zerelda é o nome ridículo da esposa do bandido Jesse James. No filme de 1939, “Zee” é interpretada por Nancy Kelly, de quem eu tenho inveja porque ela beija Tyrone Power.


E agora, indico o prêmio ABC – Awesome Blog Content – para:



quarta-feira, 15 de abril de 2015

O ranking definitivo dos vilões da Disney

Eles povoaram nossos pesadelos na infância. Eles exerceram fascínio em muitos espectadores (incluindo eu). Eles foram castigados pela maldade. Eles são os queridos e temidos vilões da Disney. Rankings de vilões existem aos montes por aí, mas este é definitivo: em vez de se basear no estilo do vilão, aqui o critério é o nível de maldade. Alguns vilões são mal-intencionados, porém atrapalhados demais para colocarem suas ideias malignas em prática. Outros são levados pela ambição de enriquecer ou ter um reino inteiro para chamar de seu. Mas há os verdadeiros algozes, que deram um passo extra na vilania e mataram um ou mais personagens. Antes que eu seja amaldiçoada por um desses vilões, vamos ao ranking:


27- Izma, “A Nova Onda do Imperador / The Emperor’s New Groove” (2000): Izma é a mais divertida e menos perigosa das vilãs da Disney. Graças a seu ajudante atrapalhado e de bom coração, Kronk, os planos de Izma nunca dão certo.

26- Madame Min, “A Espada era a Lei / The Sword and the Stone” (1963): Ela tem um olhar louco e ameaçador. É uma bruxa poderosa que quer derrotar o mago Merlin. Mas Madame Min é mais atrapalhada que perigosa.

25- Capitão Gancho, “Peter Pan” (1953): Também um vilão com um ajudante atrapalhado, o capitão tem como únicas funções incomodar os meninos perdidos, perseguir Peter Pan e... fugir de um crocodilo.

24- Príncipe John, “Robin Hood” (1973): Enriquecer e ficar com o trono da Inglaterra são os dois sonhos do príncipe John. Mas ele não contava que o esperto Robin Hood estaria em seu caminho, impedindo que os impostos fossem abusivos e resgatando a bela Maid Marian.

23- Si e An, “A Dama e o Vagabundo / Lady and the Tramp” (1955): Eles são apenas gatos sendo gatos, apesar do visual maquiavélico. Quem coloca a culpa em Lady e a põe para fora de casa é a tia Sara.

22- Stromboli, “Pinóquio / Pinocchio” (1940): Stromboli está na galeria dos personagens ambiciosos. Seu objetivo é enriquecer e ele vê uma oportunidade no boneco falante Pinóquio, que se torna a estrela do seu show de marionetes... até que Stromboli o prende em uma gaiola depois do show :(

21- Edgar o mordomo, “Os Aristogatas / Aristocats” (1970): Edgar é ambicioso, mas não malvado. Ele quer a herança de sua patroa, por isso decide fazer os herdeiros, quatro gatos simpáticos, desaparecerem. Mas Edgar não pensa em matá-los, apenas levá-los para bem longe para que eles não saibam como voltar.

20- Shere Khan e Kaa, Mogli / Mowgli (1967): A cobra Kaa, dublada por Sterling Holloway, não é muito útil. Talvez seja sua natureza boboca, talvez seja a falta de um par de braços. Mas o charmoso tigre Shere Khan, dublado por George Sanders, compensa nas más intenções com dentes e garras afiadas.

19- Rainha de Copas / Queen of Hearts, “Alice no País das Maravilhas / Alice in Wonderland” (1951): Ela é completamente maluca e acredita que todos os problemas podem ser resolvidos se algumas cabeças forem cortadas. Obcecada por seu jardim de rosas, a Rainha manda apenas em seu exército de cartas, mas grita o suficiente para assustar a pobre menina Alice.

18- Professor Ratigan, “The Great Mouse Detective” (1986): Ratigan tem dois trunfos: ser baseado no célebre personagem Professor Moriarty de Sherlock Holmes e ter um físico impressionante. Todas as crianças dos anos 80 e 90 fiaram muito, muito assustadas com ele.

17- Hades, “Hércules” (1997): Ele é o senhor do submundo! Ele se teletransporta! Ele espalha chamas azuis por onde passa! Ele tem senso de humor negro! Ele é dublado por James Woods! Hades quer governar o Monte Olimpo, e eu acredito que ele seria um governante bem mais divertido que Zeus. (Eu fiz um teste no site da Disney para saber qual vilão eu seria... Hades foi a resposta!)

16- Lady Tremaine, Anastasia, Drizella, e o gato Lúcifer, “Cinderela” (1950): Sozinhos eles não são grande coisa, mas juntos podem transformar a vida de Cinderela em um inferno. Condenadas pelos crimes de: trabalho escravo e tortura psicológica.

15- Cruella De Vil, “101 Dálmatas” (1961): Para ela a moda é mais importante que o bem-estar dos animais. Cruella queria “apenas” fazer um casaco de pele de dálmata, e usa seus dois capangas para sequestrar os cachorrinhos. Você já deve saber que Cruella é dublada pela inconfundíavel Betty Lou Gerson.

14- Mother Gothel, “Enrolados / Tangled” (2009): Ela raptou uma criança, a princesa Rapunzel, e a mantém presa em uma torre há muitos anos. Seu único objetivo é usar os poderes do cabelo da menina, mas isso não a impede de cantar “Sua Mãe Sabe Mais / Mother Knows Best”.

13- Madame Medusa, “Bernardo e Bianca / The Rescuers” (1977): A ruiva de olhar aterrorizante simplesmente mantém uma órfã cativa e é obcecada por um diamante gigantesco. Ah, e ela também tem dois crocodilos de estimação. Madame Medusa foi dublada por Geraldine Page.

12- Ursula, “A Pequena Sereia / The Little Mermaid” (1989): Ursula tem um visual sensacional, corpo de polvo e muita maquiagem. Ela tem apenas dois objetivos na vida: ter uma voz bonita como a de Ariel e governar os sete mares. Para isso, ela usa poções mágicas, muda de forma e conta com a ajuda de duas moreias. Em outras palavras: uma vilã incrível até debaixo d’água.

11- Lotso, “Toy Story 3” (2010): Com sua bengala e o jeito fofinho, ela parecia ser um bom personagem, mas na verdade é um urso de pelúcia corroído pela tristeza de ter sido abandonado por sua dona. E por isso ele quer destruir todos os brinquedos novos que chegam à creche. Mas mesmo na beira do incinerador ele continua fofinho.

10- Jafar, “Aladin / Aladdin” (1992): Para se tornar sultão, ele quer de qualquer jeito se casar com a bela Jasmine, filha do atual sultão, nem que para isso ele tenha de eliminar o bom ladrão Aladdin. Jafar ganha pontos por conseguir se transformar em uma cobra assustadora. Sabia que Jafar foi inspirado em Vincent Price?


9- Rainha Má, “Branca de Neve e os Sete Anões / Snow White and the Seven Dwarfs” (1937): o visual da rainha foi inspirado por atrizes dos anos 30, entre elas Joan Crawford. Linda em sua forma humana, ela é capaz de fazer feitiços, poções e se transformar em uma bruxa horrorosa. A Rainha Má é dublada pela atriz Lucille LaVerne, que trabalhou com Lillian Gish em 1920!

8- Malévola / Maleficent, “A Bela Adormecida / Sleeping Beauty” (1959): durante muito tempo ela foi apenas uma mulher invejosa que, por não ter sido convidada ao batizado da princesa, resolveu amaldiçoá-la. Mas eu sempre soube que Malévola era muito mais legal do que imaginávamos, e o filme de 2014 veio para provar isso. Sim, ela tem chifres, pele verde e um figurino de arrasar. Mas é uma vilã incrível. E incompreendida. Uma verdadeira diva.

7- João Bafo-de-Onça / Pete, vários curtas-metragens: Desde que surgiu em 1927, Pete tem uma missão: atrapalhar os planos de todos que encontra, desde Oswaldo, o Coelho Sortudo, até Mickey e companhia. Por sua persistente vilania, que dura quase 90 anos, ele merece um lugar na nossa lista.

6- Governador Ratcliffe, “Pocahontas” (1995): Você aprendeu na escola: os colonizadores vieram para roubar riquezas da América e dizimar os nativos. E são exatamente estas duas coisas que o Governador Ratcliffe pretende fazer.

5- Claude Frollo, “O Corcunda de Notre Dame / The Hunchbak of Notre Dame” (1998): Claude é notável por ser um personagem do romance de Victor Hugo. Na versão Disney, ele ganhou ares muito sombrios e uma atitude demasiado preconceituosa para com os ciganos e o próprio Corcunda. Suas piores ações são julgar as pessoas pela aparência e usar a religião e o bem-estar público para fazer o mal.

4- Gaston, “A Bela e a Fera / The Beauty and the Beast” (1991): Lindo por fora, podre por dentro: assim é Gaston, um homem que não pensa em ninguém além de si mesmo. Seu desejo era casar-se com Bela, a mais intelectual das heroínas da Disney, mas ao ver que ela preferiu a Fera, Gaston convenceu uma multidão irada a invadir o castelo e matar o monstro.

3- Barracuda, “Procurando Nemo / Finding Nemo” (2003): Marlin e sua esposa teriam centenas de pequenos peixes-palhaços, mas veio a Barracuda e ficou apenas um ovinho, a quem Marlin chamou de Nemo. A Barracuda merece a medalha de bronze por ter deixado órfão o peixe aleijado mais adorável dos sete mares.

2- Scar, “O Rei Leão / Lion King” (1994): Todo mundo ainda chora com a morte de Mufasa. Scar foi um dos poucos vilões da Disney que realmente matou um personagem principal, o pai do Simba. E, para completar, ele é dublado pelo inigualável Jeremy Irons.

1 – Homem, Bambi (1942): Confesse: você nunca se recuperou do trauma terrível que foi a morte da mãe do Bambi. É preciso ser uma criatura horrível e sem coração para deixar um filhote de veado órfão e indefeso. E a mãe de Bambi foi apenas uma das muitas vítimas do Homem.

This is my contribution to The Great Villain Blogathon, hosted by Ruth at Silver Screenings, Kristina at Speakeasy and Karen at Shadows and Satin. Mwahaha!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Levada à Força / The Story of Temple Drake (1933)

Esta crítica contém spoilers.

Pre-Code é o termo usado para descrever os filmes falados feitos entre 1929 e 1934, quando o Código Hays de “decência” entrou em vigor. Estes filmes apresentavam insinuações sexuais, silhuetas sugestivas, comportamento considerado reprovável, crimes sem punição e promiscuidade. Mas não fique animado: tais filmes não são nada pornográficos e, vistos hoje, são quase todos simples. Quase todos: “The Story of Temple Drake” continua longe de ser simples e inofensivo.
Um dia, Danny, o mago do pre-Code (e responsável pelo excelente site pre-code.com) convidou os bravos blogueiros para escreverem sobre estes filmes travessos e fascinantes. E foi assim que eu me lembrei de uma frase que Danny soltou no Twitter:


Então aqui está, Danny. Um artigo sobre “The Story of Temple Drake”, escrito por uma mulher – e uma mulher feminista.


Ela é uma boa garota, Stephen”: é assim que o avô se refere a Temple Drake (Miriam Hopkins). Na cena seguinte, quando somos apresentados a ela, Temple está chegando tarde em casa e tentando se livrar do homem que a acompanhava naquela noite – e que queria mais alguns beijos. Temple é assunto da fofoca de todos na cidade.
Depois que o bom advogado Stephen Benbow (William Gargan) a pede em casamento mais uma vez, Temple foge com seu acompanhante Toddy (William Collier Jr) e, indo em alta velocidade, o carro deles capota. Quem os encontra é o sinistro Trigger (Jack La Rue), que os leva a uma casinha quase destruída. Depois de se mandar seus capangas levarem Toddy embora, Trigger mata o bobo Tommy (James Eagles) e violenta Temple.
O dono da casa em que tudo aconteceu, Lee Goodwin (Irving Pichel) é acusado pelo assassinato de Tommy e, sem dinheiro para contratar um advogado, lhe é indicado Stephen. E é seguindo o rastro de Trigger, o verdadeiro assassino, que Stephen reencontra Temple, e a moça inicia uma jornada de mentiras, sacrifício e dúvidas morais.


Filmes não são fábulas. Não é preciso procurar uma “moral da história” ao fim de cada um deles. Se procurássemos uma lição neste filme, alguns pensariam no velho, ultrapassado conselho: se Temple fosse uma moça “correta” e tivesse aceitado se casar com Stephen, nada de ruim teria lhe acontecido. O comportamento dos personagens no pre-Code é sempre muito liberal, e quase sempre eles aprendem que o crime e a promiscuidade não compensam. Há pessoas que ainda pensam assim, mas a visão de quem conhece o filme mais de 80 anos depois de sua estreia pode (e deve) ser muito diferente da opinião de quem viu o filme originalmente nos cinemas.
Há alguns momentos bem pre-Code: o close nas pernas de Temple, a moça só de lingerie depois de uma tempestade. Miriam Hopkins é a alma do filme, e as expressões de seu rosto (em especial dos olhos) falam mais que qualquer diálogo. O filme poderia ter sido até mais pre-Code, se não fosse por uma troca de papéis: George Raft não aceitou o papel de Trigger, e Jack La Rue, um ano antes, havia perdido o papel de Rinaldo em “Scarface” (1932) justamente para Raft (o TCM diz que Jack perdeu, na verdade, o papel principal para Paul Muni).

Por que “The Story of Temple Drake” escandalizou Hollywood? Primeiro, porque é uma adaptação do livro “Sanctuary”, de William Faulkner, considerado impossível de ser transportado para as telas. Segundo, porque a polêmica ficou nas entrelinhas, e a mente mais ou menos poluída de cada espectador se encarregou de imaginar barbáries. Por quanto tempo ela ficou com Trigger? Por que ela ficou esse tempo com Trigger? Temple estava assustada demais para fugir? Ela sabia que sua vida não seria mais a mesma se voltasse para sua cidade (estaria “desgraçada”)? Ou... será que ela gostou de ser escrava sexual de Trigger? Por que Temple só resolve tomar uma atitude ao reencontrar e mentir para Stephen?


Esses temas e debates, sobre comportamento feminino considerado “adequado”, violência sexual, vingança e autodefesa são, surpreendentemente, todos abordados no meu novo livro. Escolhi “The Story of Temple Drake” por causa do tweet no topo do post, mas os temas me tocaram profundamente pela coincidência (sério, quais as chances de ver um filme que tem tudo a ver com seu livro... por acaso?). São produtos de épocas diferentes, e vão encontrar recepções e interpretações diferentes. “The Story of Temple Drake” deixa muitas questões em aberto, e isto é uma das características que fazem um bom filme – pre-Code ou não.

This is my contribution to the Pre-Code Blogathon, hosted by the naughties Danny at pre-code.com and Karen at Shadows and Satin. Sin on celulloid!



sexta-feira, 27 de março de 2015

Série Retrô: Agente 86 / Get Smart

Cone do silêncio. Sapatofone. “O velho truque!” “Você acreditaria se...” Coisas e frases que me fazem simplesmente sorrir. Eles me lembram um dos meus seriados favoritos, aquele que alegrou muitas noites tristes da adolescência e me apresentou o maravilhoso mundo dos clássicos.
Eu tinha 13 anos quando vi meu primeiro episódio de “Agente 86 / Get Smart”. Era o primeiro para mim, mas “And the Baby Makes Four: Part 2” é na verdade parte da última temporada da série. Nunca me esquecerei da grande briga no hospital e as reações que me fizeram querer assistir mais da série.
É muito difícil escolher meu episódio favorito entre os 138 que foram gravados em cinco temporadas. Mas vou analisar o episódio piloto, “Mr Big”, que deu origem à série e, curiosamente, foi o único gravado em preto e branco.
O episódio piloto já apresenta todos os ingredientes para o sucesso da série: a química entre Maxwell Smart, o agente 86 (Don Adams) e a agente 99 (Barbara Feldon), as bugigangas de espião como o sapatofone e o cone do silêncio, os esconderijos mirabolantes do agente 44, um cachorro adorável, a maneira como Max irrita o chefe do CONTROLE (Edward Platt), a presença de um vilão da KAOS, uma ameaça internacional e um ritmo rápido (e por vezes até bobinho).
Os anos 60 tinham dois grandes ídolos espiões, diametralmente opostos: James Bond e inspetor Clouseau. E, por incrível que pareça, Maxwell Smart foi o resultado da junção de Sean Connery com Peter Sellers. Sim, trata-se de uma paródia, e não se podia esperar nada diferente do homem por trás da série: um dos criadores é Mel Brooks, ainda longe do seu auge (mas já genial). O outro criador da série é Buck Henry, co-roteirista de “A primeira noite de um homem / The Graduate” (1967) e diretor da versão de “O Céu pode Esperar / Heaven Can Wait” protagonizada por Warren Beatty em 1978. Brooks disse que a ideia era fazer uma sitcom não sobre uma família, o que era comum na época, mas (por que não?) sobre um idiota. Nascia assim Maxwell Smart.
E a série teve muito, muito êxito (não apenas porque tem gente como eu que vê seus episódios até hoje). Don Adams ganhou o Emmy de Melhor Ator de Comédia três anos seguidos (1967-1969), e “Agente 86 / Get Smart” foi eleita por dois anos (1968 e 1969) a Melhor Série de Comédia. Apesar de ficar feliz com o fim da série após a quinta temporada em 1970, Adams ficou para sempre marcado como Maxwell Smart, e seu maior projeto posterior foi a dublagem do também atrapalhado espião “Inspetor Bugiganga / Inspector Gadget”. Por falar em voz de personagens, Adams afirmou que baseou-se em William Powell para criar a voz de Maxwell Smart.
Agente 86 / Get Smart” foi apenas o começo de uma maravilhosa experiência de mergulho em filmes e séries do passado. Mas como a primeira vez a gente nunca esquece, a série tem um lugar quentinho e cativo no meu coração: sempre serei grata pelas muitas alegrias que Maxwell Smart me trouxe.

This is my contribution to the Favourite TV Show Episode blogathon, hosted by my friend Terence at A Shroud of Thoughts. Lights, camera, action!

terça-feira, 17 de março de 2015

Condenado / Odd Man Out (1947)

Happy Saint Patrick's Day! O dia de São Patrício é comemorado bebendo muita cerveja, vestindo-se de verde, procurando trevos de quatro folhas, contando histórias sobre duendes, leprechauns e potes de ouro no fim do arco-íris. Mas nem tudo é festa e diversão na Irlanda: há também problemas, lutas pessoais e coletivas. Porque há um sentimento que ultrapassa fronteiras e une todos os povos do mundo: a liberdade.
Johnny McQueen (James Mason) é chefe de uma organização e há alguns meses escapou da cadeia, onde deveria ficar preso por 17 anos. Johnny está escondido na casa de Kathleen (Kathleen Ryan), onde se encontra com seus companheiros e continua fazendo planos audaciosos. Um desses planos é assaltar um banco e Johnny, apesar de não ver a luz do sol há mais de um ano, faz questão de participar da ação.
Johnny é baleado no ombro e se separa dos companheiros. Assim começa uma grande caçada: policiais e delatores querem a recompensa por Johnny. A doce, corajosa e decidida Kathleen quer encontrá-lo para que juntos possam fugir em um navio e ficar longe dos problemas que têm na Irlanda. É a estreia de Kathleen Ryan no cinema, mas a moça tem o talento de uma veterana e é muito convincente em seu papel. Kathleen e os atores que interpretam os companheiros de Johnny faziam parte de um grupo de teatro de Dublin, o Dublin Abbey Theatre, fundado e dirigido por W.G. Fay, que interpreta o padre Tom.
A direção é de Carol Reed, que dois anos depois faria seu melhor filme, “O Terceiro Homem / The Third Man”. Veja como o filme é cheio de momentos preciosos: a maneira como o interesseiro Shell (F.J. McCormick) se refere a Johnny através de metáforas sobre um passarinho, o momento em que Johnny delira e vê rostos de algozes nas bolhas de uma bebida, a briga entre Shell e o pintor Lukey (Robert Newton), que quer resgatar Johnny apenas para realizar o sonho de pintar o retrato de um moribundo, um novo delírio de Johnny envolvendo retratos enfileirados como pessoas em um tribunal.
O que dizer do sempre brilhante James Mason? Ele chegou a afirmar que Johnny McQueen foi o melhor personagem de sua longa e ilustre carreira. Mason gostou muito de trabalhar com Carol Reed, diretor que admirava, e teve total liberdade para compor seu personagem. Embora Reed gostasse de ter controle sobre todos os aspectos de seus filmes, deixava seus atores livres para criarem os personagens. E sempre deu certo.
Mas... de que organização Johnny McQueen faz parte? Por que ele é perseguido? Por qual causa seus companheiros roubam bancos? Vamos a uma pequena e esclarecedora lição de história: embora ninguém diga isso explicitamente, o cenário do filme é a cidade de Belfast, na Irlanda do Norte. Isso faz com que ele seja, com certeza, membro do IRA (Irish Republican Army), um grupo fundado em 1919 com o objetivo de separar a Irlanda do Norte do Reino Unido e anexá-la à República da Irlanda. Já em 1926 foi feito um filme centrado na organização, “Irish Destiny”, que termina com um close maravilhoso e em cores da bandeira irlandesa. Em “Condenado / Odd Man Out”, desde o começo fica claro que o pano de fundo é a luta IRA contra polícia inglesa, mas o que importa é a trajetória dos personagens, não os desdobramentos da luta por liberdade. Em suma, a história poderia acontecer durante qualquer conflito, e mesmo assim seria humana e verossímil.

Irish Destiny (1926)
“Odd Man Out” é um curioso noir irlandês. Considerado por muito a obra-prima de Carol Reed, elogiado com sensatez e saudosismo por seu protagonista, usado como recurso de propaganda anti-IRA, “Odd Man Out” ainda é pouco visto, mas é imperdível.

This is my contribution to the Luck of the Irish Blog O’thon, hosted by the mighty Metzinger sisters at Silver Scenes.
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