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Mais de mim mesma

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Espelho D'Alma / The Dark Mirror (1946)

Se você gosta de um bom drama, seja em filmes, livros, novelas (soap operas) ou outra mídia, já deve ter encontrado pela frente o clichê da gêmea boa e da gêmea má. Essa fórmula de duas pessoas iguais fisicamente, mas com personalidades diferentes, de modo que uma delas odeia a outra, já foi usada dos mais diversos jeitos, em atrações interessantes ou como um grande atentado à inteligência humana. O truque pode ser conhecido hoje, mas era relativamente novo em 1946. Era a época de filmes noir, dos assassinatos em preto e branco, das femme fatales. Mas e quando não é uma, mas duas femme fatales, uma delas vítima e quiçá cúmplice da outra?
O Doutor Peralta foi encontrado morto. Esfaqueado, assassinado. Dois de seus vizinhos e a secretária apontam como assassina Teresa Collins (Olivia de Havilland), a moça que vende revistas e com quem o doutor planejava se casar. De sorriso amplo e olhos brilhantes, Teresa fica surpresa ao saber da morte do doutor. E mais: tem três álibis que a viram muito longe do local do crime naquela noite.
Mas o caso é mais complicado do que parece: Teresa tem uma irmã gêmea idêntica, Ruth, e ambas se revezavam na banca de revistas, de modo que ninguém no edifício sabia que se tratavam de duas irmãs. Isso frustra o tenente Stevenson (Thomas Mitchell) e o jovem Rusty (Richard Long), que estava apaixonado pela moça. As irmãs se recusam a falar qualquer coisa, de modo que fica impossível provar qual é culpada e qual é inocente.
Ainda há uma esperança: o doutor Scott Elliott (Lew Ayres), médico no mesmo edifício e, conveniente e coincidentemente, especialista em gêmeos. Elas aceitam participar de uma pesquisa com o doutor, e logo a situação fica óbvio demais: a gêmea má se volta contra a gêmea boa e tenta fazê-la passar por louca.
É um pouco óbvio para o espectador quem é a gêmea boa e quem é a má (talvez por causa do talento de Olivia, que as interpreta com distinção). Isso é o ponto frustrante do filme. Entretanto, é interessante notar como de fato a polícia estava de mãos atadas com este caso. Com a tecnologia de hoje, provavelmente seria muito mais fácil identificar a gêmea criminosa. Mas não se preocupe: apesar desta fraqueza, o filme tem bons momentos e um excelente clímax, capaz de deixar qualquer um boquiaberto e com os neurônios retorcidos.
Há um pouco de didatismo no filme. A psique humana ainda era um enigma para a maioria das pessoas. O pai da psicanálise, Sigmund Freud, havia morrido fazia apenas sete anos, e o público precisava ser doutrinado. Mas não se preocupe: não é o estilo “palestra do subconsciente” que Ingrid Bergman, Gregory Peck e Alfred Hitchcock fizeram um ano antes, em “Quando Fala o Coração / Spellbound” (1945). A novidade psicológica do filme fica por conta do teste Rorschach, em que o paciente diz o que vê em uma folha com um borrão de tinta. Este teste, motivo de piada em diversos filmes e seriados desde então, foi considerado ineficaz por estudiosos em 1965.  
É curioso ver o diálogo sobre rivalidade entre irmãs ser feito justamente para Olivia de Havilland, que teve uma longa rixa com a irmã também atriz Joan Fontaine. Os detalhes dessa rivalidade que vem desde a infância não foram tornados públicos (ao menos não todos os detalhes), mas sem dúvida é impossível dizer quem estava certa ou errada na disputa De Havilland contra Fontaine.
Para Olivia de Havilland, 1946 foi um grande ano. Ela ficou dois anos afastada do cinema enquanto lutava para se livrar do abusivo contrato de sete anos da Warner Brothers. Por ter rejeitado vários papéis ruins, Olivia foi informada de que ficaria mais seis meses exclusiva da Warner, como forma de punição. Ela foi aos tribunais e ganhou o caso, mas, graças à influência da Warner em Hollywood, nenhum estúdio lhe ofereceu trabalho entre 1944 e 1946. Lew Ayres também estava afastado do cinema, porque deixou Hollywood em 1942 para trabalhar como médico e capelão durante a guerra no Pacífico. Protagonista de “Nada de Novo no Front / All Quiet on Western Front” (1930), Ayres era um grande pacifista e perdeu a simpatia dos colegas durante a guerra porque se opunha ao conflito.
Este não é o melhor filme de nenhum de seus atores. Não é o melhor filme do diretor Robert Siodmak (de “Os Assassinos / The Killers”, 1946) nem do produtor Nunnally Johnson (de “Um Retrato de Mulher / The Woman in the Window”, 1944). Mas é um filme muito bom, como o são todos os clássicos.

This is my contribution to the Fourth Annual Dueling Divas blogathon, hosted by Lara at Backlots.

domingo, 25 de janeiro de 2015

A Lei da Fronteira / Frontier Marshal (1939)

1939 foi um grande ano para o gênero western. Durante a década de 1930, os filmes ambientados no Velho Oeste estavam quase sempre relegados à categoria B: eram curtos (por volta de uma hora de duração), feitos sem grande orçamento e destinados a ser a atração menor nas matinês e “double features”. Os westerns B eram o que garantiam o emprego do pobre John Wayne nos anos 30, mas tudo iria mudar: em 1939, John Ford e John Wayne levaram o western de volta à lista de gêneros mais prestigiados com “No tempo das diligências / Stagecoach”.
Também em 1939 foi feito “A Lei da Fronteira / Frontier Marshal”, o primeiro filme a contar a história de Wyatt Earp, Doc Holliday e o tiroteio no O.K. Corral. E um dos velhos conhecidos do western B foi escolhido como protagonista. Enquanto John Wayne fazia filmes ruins na Warner, Randolph Scott era o caubói rústico da Paramount. Na década de 1930, ele também participou de filmes de horror, aventura e até de um musical com Fred Astaire e Ginger Rogers! Mas ele voltaria às origens do Velho Oeste. Era só uma questão de tempo.
A cidade de Tombstone foi povoada por oportunistas que queriam ficar ricos explorando prata. Logo Tombstone se transformou em um lugar ideal para bandidos, e o xerife local (Ward Bond), com medo de morrer e deixar mulher e filhos desamparados, não queria combater o crime. Foi então que Wyatt Earp (Randolph Scott), descendo por um cano, afirmou que os bandidos precisavam ser detidos. E assim ele se tornou xerife de Tombstone.
O primeiro contato de Wyatt com Doc Holiday (Cesar Romero) não é nem um pouco amistoso: ele decide atirar em Wyatt depois que o novo xerife joga a cantora de saloon Jerry (Binnie Barnes) na água. Mas Wyatt é bem mais sensato que Doc porque, apesar de ser um perigoso pistoleiro, Doc sofre com a tuberculose e com seu vício pela bebida, duas coisas que também preocupam a enfermeira apaixonada Sarah (Nancy Kelly).
Aqui Doc Holliday é a grande estrela. Cesar Romero era nove anos mais novo que Randolph Scott, e até então havia sido estereotipado em Hollywood. Sim, ele contracenou com grandes estrelas, como William Powell, Shirley Temple e Carole Lombard, mas sempre interpretando algum tipo exótico ou estrangeiro, embora ele próprio tenha nascido em Nova York.
A confusão no filme começa quando o bandido Ben Carter (John Carradine) e seus capangas levam a força o comediante Eddie Foy (interpretado por seu filho Eddie Foy Jr) para se apresentar em um bar. Mas o tempo todo Doc Holliday é o verdadeiro alvo de Ben Carter.
“A Lei da Fronteira / Frontier Marshal” está longe de ser um western de primeira classe. Tem bons momentos, sim, incluindo a operação que Doc precisa fazer para salvar a vida de um garotinho. Randolph Scott não erra nenhum tiro e já constrói a persona de seus xerifes futuros. Para Scott, o melhor ainda estava por vir.

This is my contribution to The Blogathon for Randolph Scott , hosted by Toby at 50 Westerns from the 50s. Yipee!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Inferno entre Nuvens / The Woman I Love (1937)

O cinema clássico está cheio de tesouros. Tesouros são aqueles filmes, atores, atrizes e diretores que por um motivo ou outro ficaram esquecidos no tempo, e o público atual franze a testa quando eles são citados. Aqui temos dois grandes esquecidos: Miriam Hopkins, loira e sedutora, e o sempre maravilhoso Paul Muni (faça um favor a si mesmo e veja dois grandes filmes de Muni: “Scarface”, de 1932” e “O Fugitivo / I am a Fugitive from a Chain Gang”, de 1933).
O filme é conhecido por dois títulos: "The Woman I Love" e "The Woman Between"
Sabemos que é possível perder o amor da sua vida durante um bombardeio, mas que tal encontrá-lo pela primeira vez numa situação destas? É durante um bombardeio em um teatro que o tenente Jean Herbillion (Louis Hayward) conhece Denise (Miriam Hopkins). Ela até desmaia durante o ataque aéreo, mas logo se recupera e os dois jantam juntos e dançam. Denise é misteriosa, e não quer que Jean a siga até em casa, mas ela vai se despedir quando ele vai para a guerra.
São necessários quase vinte minutos para Paul Muni aparecer com uma barba sexy. Ele é o tenente Claude Maury, metódico, valente e... amaldiçoado. Seus observadores, colegas de missão no avião que ele pilota, morrem como moscas. Ninguém quer lutar com Maury. Ou melhor, ninguém queria lutar com Maury até Herbillion chegar e se tornar amigo do piloto maldito.
Agora melhores amigos, Jean Herbillion e Claude Maury dividem as missões, as alegrias, os desafios, confidências e memórias... E você já deve estar imaginando certo: dividem também a mesma mulher! “Denise” é na verdade Helene Maury, esposa de Claude, que agora está confusa em Paris pensando em seus dois homens: aquele que ela ama (Claude) e aquele por quem está apaixonada (Jean). Sim, vai dar xabu.
Há uma montagem espetacular: dezenas de rostos tristes de mulheres, crianças, velhos e jovens são mostrados conforme parte da estação o trem que está levando os soldados para a guerra. É uma sequência linda e que infelizmente ainda se repete na vida real, mas que no cinema tem sua emoção multiplicada e compartilhada.
O irmão mais novo de Jean, Georges (Wally Albright) rouba todas as cenas em que aparece. Tagarela, inteligente, precoce, ele vive falando com animação sobre a guerra e sobre as proezas do irmão do amigo Philipe, que é soldado. Wally participou da série de curtas-metragens Our Gang e também do filme “Treze Mulheres” (1932).
Jan não se mostra muito surpreso ao descobrir que Denise é Helene. Talvez um ator melhor que Louis Hayward expressasse suas emoções com mais convicção e arte. Não podemos, entretanto, reclamar de Miriam Hopkins, to sutil em seu sofrimento que é impossível julgá-la como uma leviana, ou de Paul Muni, sempre espetacular. Muni é passivo durante quase todo o filme, e fico imaginando que seria uma boa ideia trocar de personagem com Louis Hayward... ou que tal substituir Hayward por, por exemplo, Fredic March? Aí sim, o filme ficaria fantástico.
Os espectadores de 1937 concordaram comigo, e o filme deu prejuízos ao estúdio RKO. Mas não foi todo mundo que ficou no prejuízo: Miriam Hopkins se casou com o diretor do filme, Anatole Litvak, divorciando-se dois anos depois. Muni não se preocupou com a bilheteria: no início de 1937, ele havia ganhado seu primeiro (e único) Oscar.
Então “Inferno entre Nuvens / The Woman I Love” (1937) é um filme ruim? Muito pelo contrário! É melhor que 99% dos filmes que chegam às telas de cinema atualmente. Paul Muni é a força vital do filme, que pulsa e pensa e age na surdina. Aprecie o belo casal Hopkins e Hayward. Mas preste atenção na genialidade de Muni.

This is my contribution to the Miriam Hopkins blogathon, hosted by Ruth at Silver Screenings and newcomer Maedez at Font and Frock.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Precisamos falar sobre Marilyn

Ela está em todos os lugares. É ícone da cultura pop e talvez o mais conhecido rosto do século XX. Mas eu me atrevo a dizer: Marilyn Monroe é superestimada. Podia ser uma grande atriz – mas não foi. Pouco aproveitada, era mais um pedaço de carne a ser exibido nas telas. Sua imagem sempre veio antes do seu talento – e tinha talento: foi uma das melhores alunas do Actor’s Studio.

Olhe para a foto acima. Marilyn lê! Sim, ela não é apenas um belo rosto! Mas ela precisava ser exibida em frente à estante usando apenas uma lingerie muito sexy? Não.

Como símbolo sexual e diva do cinema, Marilyn acaba atraindo a atenção de muitas pessoas (olhe como ela está nos cartazes de todos os seus filmes, mesmo tendo um papel pequeno!). São milhões de fãs no mundo inteiro, sendo que uma boa parte desses fãs não assistiram a nenhum filme com Marilyn. Eu não sou exatamente uma fã, mas já vi quase todos os filmes da estrela. E vou dizer: eles são ótimos, mas não por causa de Miss Monroe...

Loucos de Amor / Love Happy (1949)

Preste atenção em: Harpo Marx.

Por quê?: Groucho Marx pode ter muito tempo em cena com seu papel de detetive, mas é Harpo, adorável como nunca, que rouba todas as cenas em que aparece.

A Malvada / All About Eve (1950)

Preste atenção em: todo o elenco feminino.

Por quê?: Marilyn aparece em cena por menos de um minuto, e a loira está longe de ser a razão principal para ver este grande filme. Bette Davis e Anne Baxter brigando pelo lugar de diva máxima do teatro, com Thelma Ritter e Celeste Holm como coadjuvantes. Precisa pedir mais?

O Segredo das Joias / The Asphalt Jungle (1951)

Preste atenção em: Jean Hagen.

Por quê?:Mais uma vez, a participação de Marilyn é restrita a um minuto. Por outro lado, quem mostra muito talento (e uma bela voz) é Jean Hagen. Não reconhece o nome? Ela interpretou, no ano seguinte, a cômica vilã Lina Lamont em “Cantando na Chuva”!

Sempre Jovem / As Young as You Feel (1951)

Preste atenção em: Monty Woolley, Thelma Ritter e Constance Bennett.

Por quê?: Monty Woolley é o mais desconhecido de todos os indicados ao Oscar (ele foi indicado DUAS VEZES e ainda assim poucos o conhecem). Mas ele e as sempre ótimas Thelma e Constance dão um show com um roteiro muito divertido: para evitar a aposentadoria, John R. Hodges (Woolley) finge ser o presidente da própria empresa em que trabalha, enganando os funcionários.

Só a mulher peca / Clash by Night (1952)

Preste atenção em: Barbara Stanwyck, a rainha subestimada do cinema.

Por quê?: Marilyn está OK no filme, mas ele pertence à sempre excelente Barbara Stanwyck. Pense em um filme meio noir, passado à beira do mar, com uma femme fatale de meia-idade e dirigido pelo mesmo homem que dirigiu Metrópolis!

O Segredo das Viúvas / The Love Nest (1952)

Preste atenção em: Frank Fay.

Por quê?: Este filme está muito longe de ser especial. Se você puder evitá-lo, não perderá nada. Apenas me surpreendi com Frank Fay, já no final da carreira. Frank foi o primeiro marido de Barbara Stanwyck e parece já bem velho e judiado.

O Inventor da Mocidade / Monkey Business (1952)

Preste atenção em: Cary Grant e Ginger Rogers.

Por quê?: Junte dois dos melhores atores da época, Cary e Ginger. Eles são muito bons na comédia e têm uma ótima química. Prepare-se para muitas gargalhadas durante toda a projeção (meu momento favorito é quando Cary decide brincar de índio).

Travessuras de Casados / We’re not married (1952)

Preste atenção em: qualquer coisa.

Por quê?: Três casais descobrem que a união deles não é válida porque o juiz ainda não tinha uma licença. Há o casal do rádio que vive brigando, mas mantém as aparências quando está no ar, há a miss que pode competir agora que está solteira, e a moça que fica preocupada por seu filho nascer no “pecado”. Qual o problema do filme? É curto demais, cada caso poderia ser explorado melhor!

Almas Desesperadas / Don't bother to knock (1952)

Preste atenção em: Anne Bancroft em seu primeiro papel no cinema... e preste atenção também em Marilyn.

Por quê?: Sem dúvida este é o melhor filme de Marilyn, ou pelo menos aquele em que ela mostra todo seu potencial como atriz dramática. Uma deliciosa surpresa e uma atuação muito intensa!

Torrente de Paixão / Niagara (1953)

Preste atenção em: Joseph Cotten (e nos cenários).

Por quê?: Este é um filme noir em Technicolor. As salas fumacentas dão lugar ao ar puro das cataratas do Niágara, e Joseph Cotten ressuscita seu lado “tio Charlie” para ficar assustador. Imperdível.


Como agarrar um milionário / How to marry a millionaire (1953)

Preste atenção em: Lauren Bacall e Betty Grable.

Por quê?: Betty Grable tem um figurino maravilhoso no filme (ta, os óculos de Marilyn também são muito bonitos), mas o destaque vai para a linda e talentosa Lauren Bacall em seus momentos cômicos.

Os homens preferem as louras / Gentlemen prefer blondes (1953)

Preste atenção em: Jane Russell.

Por quê?: os homens podem preferir as louras, mas é a bela morena que comanda o espetáculo. Ela é mais exuberante em todos os números musicais e ainda faz uma maravilhosa imitação da personagem de Marilyn no tribunal.

O Mundo da Fantasia / There is no business like show business (1954)

Preste atenção em: Donald O’Connor

Por quê?: Este é um dos grandes momentos de O’Connor no cinema. Sua dança com as estátuas, quando ele percebe que está apaixonado, é o equivalente ao Cantando na Chuva de Gene Kelly.

O Rio das Almas Perdidas / River of No Return (1954)

Preste atenção: nas roupas! No cenário! Nas forças da natureza!

Por quê?: Marilyn é uma cantora de saloon com belas roupas, mas o verdadeiro protagonista do filme é o rio, que ameaça Robert Mitchum, seu filho pequeno e a nossa loira favorita.

O pecado mora ao lado / The Seven Year Itch (1955)

Preste atenção: nos diálogos.

Por quê?: este é o filme com a famosa cena do vestido. Mas nem por isso é especial dentro da filmografia brilhante de Billy Wilder. Sim, há bons momentos do humor característico de Wilder, e apenas eles fazem o filme valer a pena. Ah, tem também “o bife” ("chopsticks"):

Nunca fui Santa / Bus Stop (1956)

Preste atenção: no figurino de Marilyn. Só isso salva o filme.

Por quê?: Não sei quanto a você, mas eu considero este filme muito, muito chato, em especial por causa do protagonista sem carisma, Don Murray, que resolve sequestrar a personagem de Marilyn, a bela cantora Chérie, e levá-la para viver com ele. Marilyn foi tratada como um objeto neste filme!

O Príncipe Encantado / The Prince and the Showgirl (1957)

Preste atenção em: Laurence Olivier.

Por quê?: Olivier podia fazer tudo, da comédia ao drama de Shakespeare. Entretanto, aqui a história dos bastidores é tão interessante quanto o filme final, como podemos ver em “Sete Dias com Marilyn / My week with Marilyn” (2011).

Quanto mais quente melhor / Some like it hot (1959)

Preste atenção em: Jack Lemmon... e Joe E. Brown.

Por quê?: Como Gerald / Daphne, Jack Lemmon dá total vazão a seu lado feminino e parece realmente aproveitar todo o tempo em que está vestido de mulher. O problema começa quando o rico Osgood (Joe E. Brown) se apaixona por Daphne. Uma pena que Lemmon não ganhou o Oscar de Melhor Ator!

Adorável Pecadora / Let's Make Love (1960)

Preste atenção em: participações especiais (“cameos”) de Bing Crosby, Gene Kelly e Milton Berle.

Por quê?: Bing, Gene e Berle aparecem no filme apenas para descobrir algum talento no personagem de Yves Montand – um homem rico que, ao descobrir que é motivo de piada em uma peça de teatro, resolve entrar no elenco (o que é um ótimo enredo!).

Os Desajustados / The Misfits (1961)

Preste atenção em: Clark Gable.

Por quê?: Se Clark Gable tivesse feito apenas esse filme, já mereceria um lugar de destaque entre as maiores estrelas do cinema. Em sua atuação mais brilhante, Gable mostra que não era só um sex symbol dos anos 30. Repare na frustração quando ele não encontra os filhos do lado de fora do bar. É, sem dúvida, o momento em que sua estrela brilhou mais alto em frente às câmeras.

Marilyn era diva? Era. Tinha tudo para ser uma grande atriz? Provavelmente. Foi produto e vítima de Hollywood. Apesar de ainda ser muito lembrada, certamente foi uma das estrelas mais tristes da constelação da era de ouro.

This is my contribution to the Contrary to Popular Opinion Blogathon, hosted by Sister Celluloid!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Resoluções Cinematográficas

Ano Novo, filmes novos. Ou melhor: Ano Novo, 365 oportunidades para descobrir clássicos que eu nunca vi. Embora eu me empenhe, são muitos os filmes neste mundão, e ainda faltam muitos para ver (inclusive tenho vergonha de admitir que desconheço alguns dos maiores clássicos). Minhas amigas virtuais queridas Laura e Raquel costumam fazer uma lista de 10 filmes que elas querem ver pela primeira vez no ano que se inicia, e aos poucos elas estão contaminando os outros blogueiros de cinema clássico. Minha lista contém 15 filmes (porque estamos em 2015, e também porque eu tenho um bom tempo livre para preencher com a magia do cinema) e aqui está meu compromisso selado com vocês. Em 2015 vou assistir a:
Você nunca viu Jezebel?   :O
Civilização / Civilization (1916)
Harold, Neto Mimado / Grandma's Boy (1922)
It (1927)
A Paixão de Joana D’Arc (1928)
White Zombie (1932)
Nada é Sagrado / Nothing Sacred (1937)
Jezebel (1938)
Atire a Primeira Pedra / Destry Rides Again (1939)
O Dragão Relutante / The Reluctant Dragon (1940)
Aniki Bóbó (1942)
Os Melhores Anos de Nossas Vidas / The Best Years of Our Lives (1946)
Festim Diabólico / Rope (1948)
Era uma vez em Tóquio / Tokyo Story (1953)
Hiroshima, Mon Amour (1959)
Cleo from 5 to 7 (1962)
Quero cumprir a resolução!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Os 14 melhores filmes de 2014

Quem não gosta de uma retrospectiva? Bem, a da televisão pode estar perdendo a popularidade a cada dia, mas na internet (e na vida) sempre vale a pena olhar para trás e fazer uma avaliação do ano que acaba. No meu caso, o balanço gerou uma lista dos 14 melhores filmes que vi em 2014. Como você deve imaginar, nenhum deles é muito recente...

Janeiro: O Grande Desfile / The Big Parade (1925)

Você sabe que está em um relacionamento sério com um filme quando compra a versão em DVD com 30 minutos inéditos. Este épico silencioso leva John Gilbert ao campo de batalha da Primeira Guerra Mundial para lutar, fazer amigos e se apaixonar pela francesinha Renée Adorée. É um filme maravilhoso: nada mais pode descrevê-lo.

Fevereiro: O Presidente / (1919)

Este é o primeiro longa-metragem de Carl Theodor Dreyer, e é melhor que qualquer outro filme de 1919 (inclusive os seus, Mr. D. W. Griffith). Victor promete ao seu pai no leito de morte que jamais se casará com uma mulher pobre. Ele até se envolve com uma moça pobre, mas a abandona. Anos depois, trabalhando como juiz, Victor descobre que tem uma filha ilegítima e que essa moça está prestes a ser condenada à morte. Confie em mim: veja esta obra-prima.

Março: O Relógio Verde / The Big Clock (1948)

Ray Milland está alucinado, mas não é por causa do álcool. Ele interpreta George, um workaholic que faz um favor ao chefe e depois se vê como o suspeito principal de um assassinato. Pode esperar muitos momentos de tirar o fôlego neste pérola que mais gente deveria ver.

Abril: A Carne e o Diabo / Flesh and the Devil (1926)

A estreia de Greta Garbo no cinema americano é de tirar o fôlego. Ela está deslumbrante em todas as cenas, e não é de se espantar que John Gilbert tenha se apaixonado por ela instantaneamente (algumas fontes dizem que esse “amor à primeira vista” foi capturado pelas câmeras, porque Gilbert não teria conhecido Garbo até a cena inicial deles).

Os Dez Mandamentos / The Ten Commandments (1956)

Como eu vivi 20 anos sem ver esta obra-prima? Sim, há momentos cheios de pieguice e de humor não-proposital, mas Cecil B. DeMille foi muito bem-sucedido em sua adaptação da macro-história bíblica. Um épico maravilhoso de se ver, com milhares de extras e cenas que vão assombrar (no bom sentido) sua memória por muitos anos.

Maio: Fogo de Outono / Dodswortth (1936)

Da série “filmes para amar a década de 30”. O medo de envelhecer assombra o casal Fran (Ruth Chatterton) e Sam Dodsworth (Walter Huston). Após vender a fábrica de automóveis, o casal vai para a Europa. Fran tenta se manter jovem flertando com homens mais novos, enquanto Sam continua a aprender coisas novas para se sentir útil. E Sam inclusive aprende o que é amor verdadeiro.

Junho: A incrível Suzana / The Major and the Minor (1942)

Em um mês recheado de Billy Wilder, esta deliciosa comédia foi o melhor filme. Suzana (Ginger Rogers), desiludida com a vida em Nova York, decide voltar para o interior, mas não tem dinheiro para a passagem de trem. Seu dinheiro é suficiente para comprar uma passagem de criança, e ela não tem dúvida: se disfarça como uma menina de 12 anos (e ela parece novinha mesmo). O problema é quando Suzana se apaixona por um major que está prestes a se casar... É um daqueles filmes que só poderiam ser feitos na época de ouro de Hollywood, com tanta simplicidade e leveza.

O grupo / The Group (1966)

Era uma maratona dos files de Sidney Lumet na televisão. Eu queria mutio ver “Vidas em Fuga / The Fugitive Kind” (1960), com Marlon Brando e Anna Magnani. Resolvi ver o filme que passou antes, “O Grupo”, e fiquei impressionada. Mesmo com mais de duas horas e meia de duração, o filme prende a atenção. No começo dos anos 30, oito meninas recém-formadas em uma escola só para mulheres são acompanhadas em seus dramas, descobertas e complicadas relações.

Julho: Blancanieves (2012)

Um filme mudo moderno em que Branca de Neve é toureira: impossível não ser sensacional! O renascimento do cinema mudo não terminou com “O Artista”, e você pode saber mais sobre “Blancanieves” clicando AQUI.

Agosto: O Pagador de Promessas (aka The Given Word) (1962)

Finalmente eu entendi o que um filme precisa ter para fazer sucesso além das fronteiras de seu país de origem: um tema universal. A história de “Zé do Burro” poderia se passar em qualquer país do mundo (eu pude visualizá-la tendo como cenário uma região bem religiosa da Itália), e as questões levantadas sobre religião, polêmica, o poder do jornalismo e a reação em cadeia de um povo sofrido podem ser entendidas no mundo todo. Merecidamente, o ganhador da Palma de Ouro em Cannes e o melhor filme brasileiro de todos os tempos.

Setembro: A Imperatriz Vermelha / The  Scarlet Empress (1934)

Este é o tour de force de Marlene Dietrich e a obra-prima gerada pela parceria entre a atriz e o diretor Josef von Sternberg. De jovem ingênua forçada a se casar com um príncipe idiota até se tornar uma poderosa e perigosa imperatriz russa, a personagem não poderia ser mais perfeita.

Outubro: O Pássaro Azul / The Blue Bird (1918)

Lindo de se ver, com efeitos especiais de tirar o fôlego e mais de 90 anos de idade: “O Pássaro Azul” me fez agradecer a Deus, a Méliès e aos irmãos Lumière pela existência do cinema. Saiba mais sobre este espetacular filme mudo neste post.

Novembro: Mãe por Acaso / Bachelor Mother (1939)

Este é o filme favorito da minha amiga Raquel do blog Out of the Past. Quando ela descobriu que eu nunca havia visto este filme, ela me fez uma deliciosa surpresa e me presenteou com o DVD! Essa ótima comédia se passa durante as festas de fim de ano, e Ginger Rogers, recém-demitida, arruma uma grande confusão quando um bebê “aparece” em sua casa e seu patrão desconfia que o menininho é neto dele. Difícil de entender? Veja o filme.

Dezembro: Mary Poppins (1964)


Foi difícil escolher um filme em destaque no mês de dezembro (quase escolhi “Sangue Negro / There Will Be Blood”, que é surpreendente e tem a melhor atuação de Daniel Day-Lewis). Mas por que “Mary Poppins” foi o melhor filme do mês? Porque me transportou para um mundo mágico, em que tudo pode acontecer, me fez desejar ver toda a mágica do filme na tela grande e confirmou que a Disney é a melhor porta de entrada para qualquer cinéfilo.
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