quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um dia nas corridas / A day at the races (1937)

Como um cavalo pode ajudar a salvar um sanatório? Ganhando uma importante corrida. E se os envolvidos nessa corrida forem um trio tão maluco quanto os divertidos irmãos Marx?
O médico veterinário Hugo Z. Hackenbush (Groucho Marx) é chamado para trabalhar como médico psiquiatra (!) no sanatório de Judy (Maureen O’Sullivan), que está à beira da falência. Na instituição o caso mais grave é o da senhora Emily Upjohn (Margaret Dumont), uma rica mulher que aparentemente não sofre de doença alguma. E é esse o problema: ela quer que os médicos encontrem algo errado nela e Judy também deseja que isso aconteça, ou vai perder sua mais rica paciente. O namorado de Judy, o cantor Gil (Allan Jones) é dono do cavalo Hi-Hat, que se torna a grande esperança quando surge uma corrida com um bom prêmio. Stuffy (Harpo Marx) será o jóquei.
Este segundo filme deles na MGM repete uma tendência vista no primeiro: a inserção de um romance e números musicais em meio à anarquia dos irmãos. A saída de Zeppo do grupo deixou espaço para que fosse inserido um personagem menos maluco, papel aqui de Allan Jones, que também atuou e cantou em “Uma noite na ópera” e “Show Boat” (1936).

Mesmo antes de “Uma noite na ópera / A night at the opera” (1935) chegar aos cinemas, os roteiristas da MGM já estavam trabalhando neste filme. Depois de serem escritos 18 roteiros, finalmente o produtor Irving G. Thalberg permitiu que a produção começasse. Mas, duas semanas depois, ele faleceu aos 37 anos, causando caos no estúdio e selando o destino dos Irmãos Marx, que eram como protegidos dele. Groucho chegou a afirmar que com a morte de Irving ele perdeu a vontade de fazer filmes.  
A corrida de cavalos é o clímax do filme, e uma longa e divertida sequência se passa no jóquei clube: quando Chico passa uma mensagem em código para Groucho, de modo a ajudá-lo a ganhar dinheiro apostando nas corridas. No entanto, quem fica um pouco mais rico ao longo da cena é Chico, que vende vários livros para Groucho decifrar o código que ele havia lhe dado.

Meu favorito entre os irmãos sempre será Groucho, que tem excelentes momentos e frases hilárias. Com um raciocínio que me causa inveja, ele sempre pensa numa resposta para sair das mais complicadas situações. E olhe que o estúdio teve de enfrentar uma dessas situações: no início da produção, o nome da personagem de Groucho era Dr. Quackenbush. No entanto, havia 37 veradeiros doutores Quackenbush que podiam processar a MGM, que teve de mudar o nome da personagem. Groucho acabou por gostar da mudança, tanto que até assinava cartas como Hugo Z. Hackenbush de vez em quando.
No filme há bons momentos de Chico e Harpo, em especial durante o grande concerto de Gil, em que eles fazem uma grande confusão. Numa das melhores cenas cômico-musicais, Harpo vai destruindo um piano até transformá-lo em uma harpa. A MGM, berço dos maiores musicais do cinema, inclui números musicais longos no filme. O segundo deles conta com uma multidão de negros, incluindo a então desconhecida Dorothy Dandrige. Anos depois, esta sequência foi cortada para a exibição do filme na televisão, devido ao racismo.
É o mais longo filme dos irmãos Marx, embora não chegue nem às duas horas de duração. Foi também a única produção deles a receber uma indicação ao Oscar, de Direção de Dança, sendo que 1938 foi o último ano em que existiu esta categoria. E para completar as honras, foi o filme dos irmãos que arrecadou mais dinheiro da bilheteria: quatro milhões de dólares.
Provando o que Chico disse no filme anterior, de que não há cláusula de sanidade (“There ain’t no sanity clause!”) também no cinema, os irmãos fazem mais uma comédia inspirada e divertidíssima, terminando o filme com uma frase que logo se tornaria antológica na história cinematográfica: “Tomorrow is another day.”. 

This entry is part of the very first Horseathon, hosted by the lovely Page at My Love of Old Hollywood

domingo, 20 de maio de 2012

Uma personalidade clássica

Baseado em um post da Brandie do blog True Classics

Desvendar a personalidade de uma pessoa é coisa que só Freud explica? E definir sua própria personalidade, é algo fácil? Que tal contar mais um pouco sobre você comparando-se com vários personagens de flmes clássicos? Vamos tentar?

Rita Hayworth, porque me inspiro nela para arrumar meu cabelo (P.S.: nem sempre dá certo).

Tess Harding (Katharine Hepburn em “A Mulher do dia / Woman of the Year”, de 1942), porque levo meu trabalho muito a sério, seja ele qual for, e defendo meus valores e ideais, chegando mesmo a ser muito teimosa (além disso, também me comportaria igual a ela na cozinha). Para saber mais das habilidades culinárias de Tess, assistam a esse vídeo a partir dos 35 segundos.

Ninotchcka (Greta Garbo em “Ninotchcka”, de 1939), porque aparento ser mais séria do que realmente sou.

Jo Stockton (Audrey Hepburn em “Cinderela em Paris / Funny Face”, de 1957), porque sou apaixonada por livros e adoraria trabalhar em uma livraria, ainda mais se um dia Fred Astaire aparecesse por lá.

Ann Newton (Edna May Wonacott em “Sombra de uma dúvida / Shadow of a doubt”, de 1943), porque sou apaixonada por livros desde pequena. Além diso, sou meio chatinha com questões intelectuais, em especial regras da gramática. E devo confessar que achei Ann meio irritante quando vi o filme.

Não é clássico, mas...

Sheldon Cooper (Jim Parsons na série “The Big Bang Theory”), porque sou nerd e tenho orgulho disso. Em alguns episódios me vi retratada, como naquele em que Sheldon tenta perder o medo de dirigir.  
P.S.: Mas eu nunca usaria este chapéu
Qual seria sua personalidade clássica, amigo leitor?

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Hitchcock, cinema mudo, perda & restauração

Vez ou outra uma boa notícia relativa ao cinema antigo causa frisson nos cinéfilos de plantão. Pode ser um festival, um clássico a ser exibido na tela grande ou um novo lançamento em DVD, mas sem dúvida uma das maiores alegrias do amante do cinema é saber que um filme considerado perdido foi encontrado. Isso aconteceu há pouco tempo, com a descoberta da versão completa de “Metropolis” (1927) na Argentina, tema do documentário “Metropolis Refounded”, em que se pode ver toda a animação dos responsáveis pelo feito. O problema é que não basta apenas encontrar, mas, principalmente, restaurar uma obra que ficou esquecida num arquivo durante décadas.
Ferdy on films
A maioria dos filmes considerados perdidos datam do cinema mudo. Naquela época não havia a preocupação com a preservação dos negativos que, para piorar, eram feitos de nitrato de prata, substância muito inflamável e também muito valiosa. Assim, incontáveis rolos de filme foram roubados e derretidos para serem vendidos. Outros tantos pereceram em incêndios.
Percebe-se logo que muito se perdeu entre grandes produções e sequências descartáveis. Vale lembrar que muitos grandes nomes do cinema mundial começaram suas carreiras na era muda, a exemplo de John Ford, Frank Capra, William Wyler e Alfred Hitchcock. O futuro mestre do suspense começou desenhando títulos e intertítulos em 1922, passando a diretor em 1925. Incrivelmente, ele chegou a se alegrar com o sumiço de seus primeiros filmes (como “The Mountain Eagle”), alegando que eles eram muito amadores e ainda não refletiam o estilo que o tornaria famoso. Mas uma descoberta recente faria Hitch se contorcer, pois um de seus primeiros filmes está prestes a voltar à exibição.  
Self-styled siren
Em uma incrível e feliz ocorrência, foram encontrados três dos seis rolos de “The White Shadow”, filme que estreou em 1923 levando o nome de Graham Cutts como diretor, embora quase todo o esforço criativo tenha sido de Hitchcock. Aos 24 anos, Hitch foi roteirista, editor, design e diretor-assistente do filme, encontrado na Nova Zelândia. Como o país era a última parada das projeções, os donos de cinema simplesmente descartavam os filmes depois de sua exibição. Mas um colecionador e projecionista, James Murtagh, não se desfazia das cópias e as preservava. E, depois de sua morte, em 1989, esta e outras raridades, como a única cópia de “Upstream”, filme feito por John Ford em 1927, foram para o arquivo nacional, mas sob um nome errado (“Two Sisters”) e só em agosto de 2011 foi corretamente identificado. Agora começa uma nova odisséia: restaurar a película.
Restauração não é privilégio de filmes muito antigos. Para se ter uma ideia do descaso cinematográfico, “Janela Indiscreta / Rear Window”, que não tem nem 60 anos, teve de ser restaurada. Isso porque na década de 1950 as cópias a serem mandadas para os cinemas ao redor do mundo eram todas feitas a partir do negativo original, que com isso ficava gasto rapidamente. 
This island rod
Os esclarecimentos não param por aí: nesta semana não serei somente eu que escreverei sobre Hitchcock e preservação cinematográfica, mas também outros tantos internautas, unidos na terceira edição de “For the Love of Film: The Film Preservation Blogatyhon”. O objetivo dessa blogagem coletiva é também arrecadar dinheiro para que as cenas restantes do filme sejam exibidas via internet para todo o mundo, com uma trilha sonora novinha. Por isso, se você quiser ajudar, clique aqui:



Se você quiser acessar um dos três sites anfitriões da blogathon, clique nas legendas dos banners.
Se você quiser saber mais sobre filmes perdidos, reencontrados ou parcialmente perdidos, clique nos links.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Eu nos bastidores da notícia


Como muitos de vocês devem saber, no último dia 29 de abril ocorreu o lançamento de meu segundo livro, “Crítica Retrô – Apontamentos de uma jovem cinéfila”. Como foi minha primeira experiência de contato direto com o público, fiquei um pouco nervosa, mas valeu a pena: colhi os frutos de meu trabalho e, além de vender os livros, acabei sendo destaque no jornal e na televisão!

Mais do que me promover, quero com este post mostrar o quanto o trabalho de um blogueiro pode ser sério. Já há muita gente ganhando dinheiro com blogs, além de espaço em veículos como jornal e televisão. O blog foi um espaço que encontrei para começar a me expressar e dividir meus gostos, e com ele felizmente conheci muita gente tão cinéfila e talentosa quanto eu. Por isso venho mostrar que todos podemos fazer a diferença com nossos escritos. Aproveitem!

sábado, 5 de maio de 2012

Todos a bordo! Filmes com trens - Parte 2

Depois de uma rápida parada na estação ferroviária, convido todos vocês a subirem a bordo novamente para o resto da viagem pelos filmes que tratam de trens.

Pacto de Sangue / Double Indemnity (1944): A perigosa e sedutora Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck) faz uma proposta ao vendedor de seguros Walter Neff (Fred MacMurray): se ele ajudá-la a matar o marido, eles fugirão com o dinheiro. O seguro que Neff faz prevê o dobro de indenização caso a morte aconteça em um trem, e ele se disfarça para que pensem que o marido de Phyllis morreu num misterioso acidente.

A Conquista do Oeste / How the West was Won (1962): Este épico em episódios contém uma sequência que trata da consrução de ferrovias. Zeb (George Peppard) é encarregado de proteger uma ferrovia dos índios que passam pelo local logo após a Guerra de Secessão.

Assalto ao trem pagador (1962): Baseado em um caso verídico, acontecido dois anos antes na Central do Brasil. Um grupo rouba o comboio que levava os pagamentos e planeja não gastar os 27 milhões de cruzeiros antes de um ano para não levantar suspeitas. No elenco estão Grande Otelo e Reginaldo Faria.

O Trem / The Train (1964): O coronel Von Waldhiem (Paul Scofield) coloca uma coleção de quadros em um trem rumo a Berlim. O inspetor-chefe da estação, Paul Labiche (Burt Lancaster), depois de uma série de problemas, é encarregado de conduzir o veículo até a Alemanha, que está sendo bombardeada pelos Aliados.
O Expresso de Von Ryan / Von Ryan’s Express (1965): Novamente tendo como plano de fundo a Alemanha da Segunda Guerra, desta vez quem está às voltas com um trem é Frank Sinatra que, após ser feito prisioneiro em um campo de concentração, deve pegar um comboio tendo como destino a Suíça, país neutro onde ele e outros cativos estarão a salvo.

Trens estreitamente vigiados (1967): Durante a Segunda Guerra, a Tchecoslováquia foi ocupada pelos alemães. É nesse cenário que um jovem, seguindo os passos do pai, decide ser ferroviário. Durante seu trabalho ele divaga, observa as pessoas, deseja ardentemente se envolver em um relacionamento e vive a conturbada época bélica.

O Trem (1973): Julien (Jean-Louis Trintignant) foge da invasão alemã no leste europeu via trem. Ele, que vai no vagão de carga, é separado da mulher e da filha, que viajam no vagão de passageiros. Durante o trajeto ele conhece a alemã Anna Kupfer (Romy Schneider), por quem se apaixona.

Assassinato no Expresso do Oriente / Murder on the Orient Express (1974): Na noite em que um trem para durante uma nevasca, ocorre um misterioso assassinato. Felizmente, o famoso detetive Poirot (Albert Finney) está a bordo e tem como complicada missão desvendar esse crime, em que todos os passageiros passam a ser suspeitos.

Thomas, o trem
Um Amigo Inesperado / After Thomas (2006): O menino Kyle é portador de uma forma grave de autismo. Para melhorar, sua avó sugere que ele tenha um bichinho. É aí que surge o labrador Thomas, batizado com o nome de um personagem de desenho animado que é um trenzinho.
Thomas, o cão
A invenção de Hugo Cabret / Hugo (2011): O órfão Hugo (Asa Butterfield) mora em uma estação de trens na Paris dos anos 1930. Ele acerta os relógios do local e, secretamente, tenta montar um autômato deixado pelo pai. Através deste objeto ele terá contato com uma lenda do cinema, o brilhante Georges Méliès (Ben Kingsley), que, contudo, não fazia filmes com trens.

Há uma infinidade de filmes com trens. Aqui foram listados só alguns, sendo que ficaram de fora as inúmeras películas em que alguém chega ou parte no trem, ou mesmo é esmagado por uma locomotiva. Chegamos à estação final. Espero que tenham gostado da viagem e me despeço com Judy Garland cantando enquanto embarca, claro, num trem.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Todos a bordo! Filmes com trens - Parte 1

Sugestão de consumo: Enquanto lê este post, escute esta obra-prima do compositor Heitor Villa-Lobos.

O trem foi um meio de transporte utilíssimo e que certamente marcou a vida de muitas pessoas. Acredito que vários leitores tenham doces memórias de viagens e passeios de trens. E entre essas lembranças, por que não incluir trens célebres do cinema?

Chegada do trem à estação (1895): O próprio cinema começou com um trem. Em 28 de dezembro de 1895 os irmãos Lumière projetaram suas primeiras películas. Reza a lenda que a chegada do trem assustou a plateia.   

O grande roubo de trem /The great train robbery (1903): Do primeiro filme ao primeiro faoreste. Em 1903, Edwin S. Porter rodou uma película de pouco mais de dez minutos que conta um engenhoso roubo de um trem. A cena final, com um ator atirando para a câmera, é famosa e, novamente, conta-se que causou frisson no público.

A General / The General(1927): As duas paixões de Johnnie (Buster Keaton) são sua namorada Anabelle (Marion Mack) e a locomotiva General. Quando ambas são raptadas por soldados do Norte durante a Guerra de Secessão, o covarde maquinista vai, sozinho, tentar resgatá-las.

O Expresso de Xangai / The Shanghai Express (1932): A bela Shanghay Lily (Marlene Dietrich) reencontra-se com o antigo amor, Donald Harvey (Clive Brook) durante uma viagem de trem de Xangai a Pequim. Esta é interrompida pelo ataque de bandidos, que ameaçam a vida de Donald, fazendo com que Lily tenha de agir para salvá-lo.

A Ceia dos Acusados / The Thin Man (1934): Embora o trem não seja fundamental, é no veículo que acontece o final do filme, e também onde começa e novamente termina sua sequência, “A Comédia dos Acusados / After the Thin Man”, de 1936. Quando Nick e Nora se beijam ao final do primeiro filme, o cão Asta esconde a cabeça entre as patas, cena que seria recriada no seriado “Casal 20”.

A Dama Oculta / The Lady Vanishes (1938): Uma garota rica conversa com uma governanta durante uma viagem de trem. Quando a velhinha desaparece no meio do trajeto, a garota começa a investigar o ocorrido, pois todos tentam convencê-la de que a senhora nunca esteve no trem.

Sombra de uma Dúvida / Shadow of a Doubt (1943): O clímax deste filme acontece em um trem, quando tio Charlie (Joseph Cotten) está indo embora e atrai Charlotte (Teresa Wright), com a clara intenção de livrar-se dela, pois a garota está desconfiada de que ele seja um assassino.

Pacto Sinistro / Strangers on a Train (1951): Hitchcock tinha alguma coisa com trens. É durante uma viagem numa locomotiva que o tenista Guy Haines (Farley Granger) e Bruno Anthony (Robert Walker) se conhecem. Bruno sugere uma troca de assassinatos: ele mataria a esposa de Guy e Guy, o pai de Bruno, de modo que nenhum dos dois crimes fosse descoberto.

Vale lembrar que a cena final de “Intriga Internacional / North by Northwest” (1959) também acontece num trem, lugar onde Roger O. Thornhill (Cary Grant) e Eve Kendall (Eva Marie Saint) se conhecem.

Quanto mais quente melhor / Some like it hot (1959): Logo que se juntam à banda rumo a Miami, Daphne (Jack Lemmon) e Josephine (Tony Curtis) viajam de trem com suas novas amigas. No meio da noite há incluive uma festinha na cabine de uma das meninas e, é claro, Daphne não hesita em entrar no clima. 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Fred e Ginger, Ginger & Fred

Fred Astaire e Ginger Rogers formaram uma das duplas mais famosas do cinema. Suas figuras são tão indissociáveis quanto as de O Gordo e o Magro, Romeu e Julieta ou Tom e Jerry. Dançaram juntos em dez musicais que renderam milhões nas bilheterias. Era de se esperar que tamanho sucesso da dupla criasse um imenso legado e rendesse diversas homenagens. Foi isso que o cineasta italiano Federico Fellini fez em 1985, quando reuniu em uma sátira à televisão dois de seus colaboradores favoritos: os atores Marcello Mastroianni e Giulietta Masina.
Frederic Austerlitz nasceu em 1899. Doze anos depois nasceu sua futura parceira, Virginia Katherine MacMath.  Ele começou a dançar aos cinco anos ao lado da irmã Adele. Ginger só iria para os palcos aos 14, depois de ganhar um concurso de Charleston. Eles se conheceram na Broadway, nos ensaios de “Gun Crazy”, mas seria apenas em 1933, nas filmagens de “Voando para o Rio / Flying Down to Rio” que eles dançariam juntos. Apesar de coadjuvantes, fizeram sucesso e a RKO logo os escalou para mais musicais. Eram filmes de roteiro simples, que serviam apenas como veículos para elaborados números. 
Surgiram muitos boatos de que a dupla não se dava bem longe das câmeras, algo que nunca foi confirmado ou negado. Depois do fracasso de “A história de Vernon e Irene Castle”, em 1939, eles seguiram caminhos diferentes. Ginger revezou papéis dramáticos e cômicos, ganhando um Oscar em 1941. Fred continuou dançando com outras mulheres belas e talentosas, a exemplo de Rita Hayworth, Cyd Charisse, Judy Garland, Audrey Hepburn e Leslie Caron. Depois que envelheceu, fez papés dramáticos, participou de séries e foi indicado a um Oscar como Ator Coadjuvante por “Inferno na Torre / Towering Inferno”, em 1974. 

Em 1985, quando a televisão já predominava sobre o cinema, o cineasta Federico Fellini atacou o jovem meio de comunicação mostrando os bastidores grotescos de um programa de variedades. Em meio ao show de horrores um ex-casal de dançarinos tenta voltar à cena, depois de trinta anos sem se apresentar. Amelia e Pippo bailavam como Fred e Ginger e depois da aposentadoria dos palcos seguiram suas vidas. Ou melhor, ela seguiu, enquanto ele cultivou a saudade. Novamente Federico trata do tema do saudosismo, atacando a nova forma de diversão popular. As demais atrações são pitorescas, mas Amelia e Pippo também têm sua dose de comédia. 
Aqui, ao contrário do filme “Monstros / Freaks”, de 1932, estamos frente a um show de horrores ao qual os participantes vão por livre e espontânea vontade. E talvez isso os torne ainda mais repugnantes. Nem se tivesse uma bola de cristal Fellini poderia imaginar que estava criando um filme que continuaria tão atual. Ainda hoje, com a mania de correr atrás dos 15 minutos de fama, as mais variadas pessoas se submetem a reality shows e outros programas de televisão (ou vídeos na Internet) mostrando seus duvidosos talentos. E, como o diretor italiano, nós também olhamos incrédulos, suspirando pelo esquecimento de talentos verdadeiros de Ginger & Fred.  
Assim como os dançarinos de Fellini, Fred e Ginger se reencontraram: fizeram mais um musical, “Ciúme, sinal de amor / The Barkleys of Broadway” (1949) e, em 1950, quando Fred ganhou seu Oscar honorário, foi Ginger quem lhe entregou o prêmio.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A morte neste jardim (1956)

Todo diretor tem marcas que o definem e o tornam facilmente identificável por seu público. Mas isso não impede que filmes peculiares surjam dentro de filmografias ricas e sejam quase esquecidos exatamente por sua peculiaridade. Neste filme de 1956, Buñuel passeia por diversos gêneros e produz algo único, mas que ainda apresenta alguns detalhes para o que chame de seu.  
Tudo começa com um clima de faroeste, quando um forasteiro chega a uma cidadezinha poeirenta. Este é o aventureiro Chark (Georges Marchal), que está sendo perseguido pela polícia devido a um assalto a banco. Depois de um grande incêndio e de uma revolta dos mineradores locais, ele se vê obrigado a fugir novamente, desta vez de barco, junto com o minerador empobrecido Castin (Charles Vanel) e sua filha surda-muda, Maria (Michèle Girardon), o padre Lizzardi (Michel Piccoli) e a prostituta Djin (Simone Signoret), que está dividida entre o amor de Chastin e o de Chark.
A partir daí, tem-se início uma odisseia, saindo da Guiana Francesa com destino à Amazônia brasileira. Enquanto zarpam, eles são perseguidos por policiais e, em terra firme, discutem em relação a uma caixa de joias e ao caminho que devem seguir. Eles tentam sobreviver neste ambiente, sem qualquer traço de heroísmo, entregando-se à cobiça e à loucura.
Não poderiam faltar insetos numa obra de Buñuel. Tendo a floresta como cenário, há a possibilidade de inserir formigas na cena em que elas cobrem uma cobra morta que serviria de refeição ao grupo. Outra marca registrada do diretor é o ataque à religião, pois o padre não ajuda muito na sobrevivência do grupo. Um dos momentos-chave é quando Lizzardi arranca algumas folhas de sua Bíblia para alimentar a fogueira, mas não chega a colocá-las para queimar. Assim como em “Viridiana” (1960), vemos um membro do clero cheio de boas intenções, tentando ajudar um grupo perdido (aqui, literalmente), mas falhando em seu objetivo.
Este foi um dos filmes feitos durante a fase mexicana de Buñuel, ainda que tenha elenco francês. Após a Guerra Civil Espanhola e com o início da Segunda Guerra Mundial, Buñuel saiu da Espanha e passou três anos trabalhando no museu de Arte Moderna de Nova York. Neste período, ele escreveu o argumento que foi adaptado para o filme “The beast with five fingers” (1946), com Peter Lorre. No mesmo ano ele foi para o México, onde realizou 19 filmes e se preparou para o auge de sua carreira, que viria com os filmes “A bela da tarde / Belle de jour” (1967) e “O discreto charme da burguesia” (1972).  
Com um misto de faroeste e aventura (do estilo “Por um punhado de dólares” encontra “Uma aventura na África”), este é um filme atípico dentro da filmografia de Buñuel. Sem deixar nada inexplicado ou abusar dos simbolismos, o diretor produz um de seus filmes mais acessíveis, mas não por isso menos belo. Inteligente e profundo, é um filme imperdível. 
Maria, Lizzardi e Chark

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Crítica Retrô – O livro

Alguns dos leitores do meu blog conhecem minha coluna Papel & Película no site Leia Literatura. Lá eu escrevo sobre adaptações de obras literárias para o cinema, ou seja, dos livros para as telas. Resolvi inverter essa ordem e assim escrevi meu segundo livro, “Crítica Retrô – Apontamentos de uma jovem cinéfila”.
Reuni o que estava na tela (do computador, mas relativo ao que já esteve nas telas do cinema) e organizei um livro com alguns artigos publicados em meu blog, no Leia Literatura e no recém-extinto Júri de Cinéfilos do Cinebulição, além de muito material inédito, que precisou de mais tempo para ser moldado e revisado e que por isso acabou não sendo publicado online.
Já escrevi um livro, por isso sei como é todo o processo, pois continuo minha parceria com a PerSe, que permite que o autor cuide de todos os detalhes na publicação do livro. Mas dessa vez haverá uma novidade: esta obra será lançada em uma tarde de autógrafos! Chiquérrimo!
Aproveitando a Feira do Livro de Poços de Caldas, a PerSe disponibilizou aos seus autores o espaço de seu estande para o lançamento e/ou comercialização dos livros. Meu grande dia será 29 de abril, domingo que antecede o feriado do Dia do Trabalho, e o evento ocorrerá das 14 às 17 horas.
Agradeço a todos que lêem este blog e com isso me dão incentivo para encontrar sempre temas novos e interessantes. Agradeço também a todos que de algum modo atuaram na maravilhosa indústria do cinema e deram a tantos filmes o título de “clássicos”.
Espero vocês em mais esse grande passo na minha carreira!


Loja virtual:  
http://perse.doneit.com.br/Paginas/DetalhesLivro.aspx?ItemID=1229

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Centenário de Mazzaropi

Era uma entediante tarde de domingo, há MUITOS anos (se é que se pode dizer “há MUITOS anos” quando se tem apenas 18 de idade) e eu decidi assistir a um filme que estava começando. O artista era Mazzaropi, sobre quem eu já havia lido em um almanaque. Não lembro o nome do filme, sequer o enredo, mas a lembrança do riso ficou. Riso compartilhado com milhares de outras pessoas que tiveram a sorte de vê-lo na tela grande e que também não esqueceram a comicidade deste artista cujo centenário será comemorado em breve.
Amácio Mazzaropi nasceu em São Paulo em 9 de abril de 1912, filho de um italiano com uma descendente de portugueses, e recebeu o mesmo nome do avô, Amazzio. Mas seria o outro avô sua maior inspiração, pois era tocador de viola e dançarino. Os pais passaram a trabalhar em uma companhia de tecelagem em Taubaté, onde ele mais tarde também trabalharia. Era bom aluno, sempre declamava poemas em festas escolares e foi aos 10 anos, num monólogo, que pela primeira vez interpretou um caipira.
Assim como outros astros do cinema brasileiro, Mazzaropi começou no circo, juntando-se a uma trupe aos 14 anos e contando piadas entre as apresentações de um faquir. Três anos depois, ele se viu obrigado a voltar para casa sem emprego, mas a efervescência trazida pela Revolução de 32 reacendeu sua vontade de atuar. Não demoraria para que ele transformasse o mais famoso grupo itinerante do interior de São Paulo, a Troupe Olga Crutt, na Troupe Mazzaropi, inclusive levando seus pais para trabalharem com ele.
Quase dez anos depois, Mazzaropi recebeu boas críticas por sua peça “Filho de sapateiro, sapateiro deve ser”. Com o sucesso veio em 1946 o convite para o programa Rancho Alegre, da Rádio Tupi, em que ele contava piadas e cantava ao som de uma sanfona. Só na primeira semana, ele recebeu 2000 cartas de fãs, que lotavam os espetáculos que ele fazia pelo país.
Mazzaropi teve o privilégo de se apresentar na estreia da TV Tupi tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, respectivamente em 1950 e 1951. Seu programa Rancho Alegre seria a primeira atração da televisão brasileira a contar com um patrocinador.
Ao contrário de tantos outros artistas, o cinema foi o último território a ser desbravado por Mazzaropi. Em 1951 ele assinou contrato com a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, onde faria seus três primeiros filmes, passando por diversas outras produtoras até fundar a sua própria em 1958: Produções Amácio Mazzaropi, a PAM Filmes. Para produzir as primeiras películas, ele vendeu tudo o que tinha. Valeu a pena: fez mais sucesso, ganhou seu próprio programa de variedades e comprou uma fazenda para construir seu estúdio.
Em 1960 ele fez o filme Jeca Tatu, repetindo o papel de caipira em mais nove produções. No mesmo ano estreia na direção, com “As aventuras de Pedro Malasartes”. E o pioneirismo não parou por aí: “Tristeza do Jeca”, do mesmo ano, seria o primeiro filme nacional colorido em Eastmancolor, tendo sido editado no México. E, por fim, em 1973 sairia o primeiro de seus dois filmes rodados no exterior: “Um caipira em Bariloche”.
Mazzaropi ganhou diversos prêmios durante sua carreira. Seu filme “No paraíso das solteironas” rendeu, em um ano, 2 bilhões e 650 milhões de cruzeiros. Rodou um filme autobiográfico, “Betão ronca ferro”, em 1970, e dois anos depois se encontrou com o presidente Emílio Garrastazu Médici, pedindo maiores verbas para o cinema brasileiro. Ele se encontraria com mais dois presidentes, sempre falando sobre a sétima arte.
Sucesso garantido
O artista nunca se casou, mas, segundo alguns depoimentos, criou ao longo de sua vida cinco meninos, embora em algumas biografias conste que ele teve apenas um filho adotivo, de nome Péricles. Mazzaropi faleceu em 13 de junho de 1981, aos 69 anos, de septicemia (infecção generalizada), dois anos antes da morte da mãe. Fez ao todo 32 filmes e contracenou com grandes nomes, como Hebe Camargo, Odete Lara, Luís Gustavo e Tarcísio Meira, tendo estes últimos estreado sob a tutela do mestre. Ensinou gerações a rirem com sua personagem caipira, mas na vida real era ambicioso, perspicaz e gostava de se vestir com elegância. Caipira esperto, uai!  

sexta-feira, 30 de março de 2012

Astros de batina

Um dos maiores desafios do ofício de um ator é interpretar personagens muito diferentes de sua realidade. Isso exige estudo e preparo, além de uma boa dose de intuição. Para os homens, talvez um dos grandes desafios seja interpretar padres e outros clérigos. Com certeza, em Hollywood não havia muitos candidatos a santos fora das telas, mas no cinema temos muitos exemplos de astros de batina.

Spencer Tracy em “San Francisco” (1936) e “A Hora do Diabo / The Devil at Four O’Clock” (1961): Se Deborah Kerr encarnou uma freira em duas ocasiões (em 1946, em “Narciso Negro” e onze anos depois em “O Céu por Testemunha”), foi Spencer Tracy o ator que por duas vezes viveu um padre. Em ambas ele exerce o sacerdócio em meio a desastres naturais. Em 1936, ele dá vida ao Padre Tim Mullen, amigo do protagonista Blackie (Clark Gable) e tenta fazê-lo mudar de vida, até que acontece o grande terremoto de 1906. Vinte e cinco anos depois, ele interpreta o Padre Matthew Doonan, que precisa retirar um grupo de crianças de um leprosário antes que um vulcão entre em erupção. Para isso, ele contará com a ajuda de três condenados, entre eles Frank Sinatra .
Bing Crosby em “O Bom Pastor / Going my Way” (1944) e “Os sinos de Santa Maria / The bells of Saint Mary” (1945): O cantor e ator Bing Crosby interpretou o mesmo padre em dois filmes. No primeiro, pelo qual ele ganhou um Oscar, Padre Chuck O’Malley usa seus conhecimentos mundanos para ajudar um grupo de crianças e ainda canta a famosa música “Swinging on a Star”. E no ano seguinte ele repete o papel ao lado de Ingrid Bergman vestida de freira. A missão deles é salvar a escola da cidade de Santa Maria. Em uma terceira ocasião, no musical “Robin Hood de Chicago / Robin and the 7 Hoods” (1964), Crosby faz um número musical disfarçado de reverendo.

Frank Sinatra em “O Milagre dos Sinos / The Miracle of the Bells” (1948): Frank interpreta o Padre Paul neste filme que gira em torno da tentativa de um agente de transformar em um evento a morte de uma aspirante a estrela de cinema. Tendo falecido após fazer apenas um filme em Hollywood, a moça vai ser enterrada em sua cidade natal e seu agente pede que todas as igrejas toquem seus sinos por três dias.
Montgomery Clift em “A Tortura do Silêncio / I Confess” (1953): O Padre Michael Logan se vê numa situação difícil após ouvir a confissão de um crime. Respeitando a regra de tornar público o segredo do confessor, ele passa a ser o principal suspeito nesta obra de Hitchcock.
Gene Kelly em “O Bom Pastor / Going my Way” (1962-63): Em um ano da série, Gene interpretou o Padre Chuck O’Malley em 30 episódios, papel feito no cinema por Bing Crosby. Em uma história mais moderna, o padre chega para ajudar um reverendo mais velho (Leo G. Carroll) e ainda encontra um velho amigo (Dick York) que cuida do centro comunitário local. Mais informações sobre a série aqui. Amém!

sábado, 24 de março de 2012

Quem foi o melhor Norman Maine?

Quem lê meu blog com frequência provavelmente sabe que meu filme favorito é a versão de 1937 de “Nasce uma Estrela”. O motivo principal, além do excelente roteiro ganhador do Oscar, é o belo uso das cores, com uma tecnologia ainda nascente. Mas não é só de Technicolor que se faz um filme: os protagonistas têm um peso enorme no impacto da produção. E Janet Gaynor e Fredric March conseguem levar muito bem o ritmo do drama. Em 1954, a história ganhou um remake musical, desta vez estrelado por Judy Garland e James Mason. Todo remake faz surgir a inevitável compração: quem se saiu melhor? Portanto, apertem os cintos, porque hoje a atração é March contra Mason!

1- Charme & simpatia: Em 1937, March tinha 40 anos. Em 1954, Mason tinha 45. Podem ser as cores maravilhosas do Technicolor de 37 que me hipnotizam sempre, mas Fredric March sempre me pareceu mais atraente. Além disso, muitos depoimentos e livros dizem que Mason era um homem um pouco calado e deprimido. Nada contra, mas March ganha meu voto um pouco parcial.
2- Melhor cena de bêbado no Oscar: Ambos estão muito bem como penetras na maior festa do mundo cinematográfico. Eles têm outras cenas embriagados, é verdade, mas James Mason causa riso e constrangimento em dois momentos marcantes: logo no número inicial, ele invade o palco, deixando para uma Judy desesperada consertar a situação. E, é claro, dá um show durante a entrega do prêmio.
3- Melhor química com Vicky Lester: March tem uma atitude quase paternal para com a ingênua e desajeitada Esther Blodgett de Janet Gaynor (ele a ajuda quando ela quebra alguns pratos na festa em que eles se conheceram). Já Mason trata a personagem de Judy com mais carinho. A escolha é difícil, mas aqui quem ganha é James Mason.
4-    Melhor despedida: A que ficou na minha memória foi a do primeiro filme. March, vestido com seu roupão, diz que vai dar uma volta. Seus pés são mostrados caminhando na areia e, à beira do oceano, ele tira as sandálias. Depois, vemos apenas as notícias dos jornais. Ponto para March!
5-  Prêmios & indicações: Tanto March quanto Mason foram indicados ao Oscar de Melhor Ator por suas atuações, mas ambos perderam. March foi indicado ao Oscar em mais quatro ocasiões, ganhando duas vezes (por “O médico e o monstro / Dr. Jekyll and Mr Hide”, em, 1931, e “Os melhores anos de nossas vidas / The best years o four lives”, em 1946), além de prêmios nos festiviais de Berlim, Veneza e um Globo de Ouro em 1952. James Mason foi indicado ao Oscar mais duas vezes e nunca ganhou. Pelo personagem Norman Maine venceu o Globo de Ouro. Foi homenageado com prêmios por críticos americanos e ingleses em duas ocasiões. Ambos têm duas estrelas cada na Calçada da Fama. Quem ganha na categoria é: March.
6-  Opinião dos leitores: Foram dez votos de leitores e Mason ganhou por sete a três. Até minha mãe votou nele.

E o resultado final foi... (rufem os tambores!) empate! Três a três!

A ideia original veio do filme de 1932 “What price Hollywood?” dirigido por George Cukor e estrelado por Constance Bennetl e Lowell Sherman. Em 1937 March deu vida ao decadente astro em um filme que ganhou o Oscar de Melhor Roteiro. Em 1954, James Mason deu seu toque pessoal ao personagem que, embora conte com momentos idênticos, não mimetiza a performance de March. Em 1976, foi a vez de Barbra Streisand e Kris Kristofrerson serem o casal principal do filme que ganhou o Oscar de Melhor Canção com “Evergreen”. Há boatos de uma nova adaptação, a ser dirigida por Clint Eastwood e protagonizada por Beyonce. Deus abençoe esta loucura!

P.S.: Em 1954, foram também considerados para o papel Cary Grant (o favorito de Judy), Laurence Olivier, Tyrone Power, Marlon Brando, Richard Burton, Montgomery Clift, Humphrey Bogart, Frank Sinatra e Errol Flynn (os últimos três afirmaram que queriam muito o papel).  
This entry is part of the March in March Blogathon, hosted by Jill at Sittin' on a Backyard Fence.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dois momentos bem parecidos de Joan

Em time que está ganhando não se deve mexer. E em filme, essa máxima é válida? Nem sempre. As provas são várias: sequências ruins de bons filmes, temas explorados à exaustão e astros estereotipados ou repetindo papéis. Joan Crawford sofreu esse último mal, em dois filmes bons, mas incrivelmente semelhantes, ambos produzidos por Jack Warner e Jerry Wald.
Em 1945, sua atuação como a mãe zelosa e batalhadora Mildred Pierce, no filme “Alma em Suplício / Mildred Pierce”, lhe rendeu um Oscar. Dois anos depois viria mais uma indicação por “Fogueira da Paixão / Possessed”. Este repete consideravelmente a fórmula do primeiro, contando, inclusive, com uma filha ingrata e ciumenta de alta periculosidade (que nem era dela). A semelhança é tanta que a edição de 2009 de “1001 filmes que você deveria ver antes de morrer” apresenta uma imagem de Joan, de vestido florido e empunhando uma arma, como pertencente a “Alma em Suplício”, quando, na verdade, faz parte de “Fogueira da Paixão”!
Em meio à Grande Depressão, Mildred Pierce, uma mulher divorciada, mãe de duas filhas, tenta encontrar o caminho para o sucesso financeiro ao mesmo tempo em que deve lidar com a problemática filha mais velha, Veda (Ann Blyth) que dá mais trabalho mas também com quem Mildred gasta mais energia, a fim de agradá-la. No entanto, Veda apenas deseja conseguir uma forma fácil de enriquecer.
Na cidade de Chicago, Louise vagueia sem rumo. Ela é recolhida para uma instituição psiquiátrica e conta sua trajetória enquanto está sob o efeito de medicamentos. Ela tinha sido contratada para ser enfermeira na casa de David (Van Heflin), por quem desenvolve um sentimento destrutivo. Ela então se casa com Dean (Raymond Massey). Apesar dos esforços para conquistar seu afeto, Louise consegue apenas despertar o ódio da enteada, Carol (Geraldine Brooks), que se envolve com David.
Em nenhum dos dois casos Joan foi a primeira escolha: em 1945, o papel de Mildred iria inicialmente para Ann Sheridan, e Joan teve de fazer um teste na Warner Brothers para conseguir o papel. O diretor Michael Curtiz tinha algumas ressalvas em relação a ela, pois acreditava que a atriz de gênio difícil já tinha passado de seu melhor momento. No mesmo filme, a primeira opção para interpretar Veda era Shirley Temple, eternamente fofa; e Ann Rutherford também mostrou interesse pelo papel. Foi Joan que indicou Ann Blyth e ajudou a jovem atriz em seu teste. Em 1947, ironicamente, o estúdio desejava que Bette Davis interpretasse Louise, mas ela saiu de licença-maternidade e deixou o caminho livre para Joan brilhar mais uma vez.

Em ambos os filmes, as personagens de Joan se vêem traídas por duas pessoas por quem tinham carinho: seu amado cafajeste e uma garota mimada que ela tenta agradar. Os dois filmes noir, inseridos neste gênero muito mais pela atmosfera bicromática que pelos elementos do enredo, garantiram a Joan indicações para o Oscar e um retorno às telas em grande estilo. Ela não compareceu à cerimônia de premiação, mas logo que ficou sabendo que havia ganhado a estatueta, chamou a imprensa em sua casa e fez um discurso de agradecimento. Estes dois papéis podem ter sido parecidos e previsíveis, mas Miss Crawford nunca perde a capacidade de nos surpreender.

terça-feira, 13 de março de 2012

A dança não pode parar

O musical é um gênero cinematográfico sem meio-termo: ou você ama ou odeia. A cantoria e as longas sequências de dança que surgem do nada não agradam a todos. Para os fãs mais apressadinhos, mesmo a dança em excesso cansa. Essa é uma seleção de números musicais capazes de sufocar quem não gosta de musicais e deleitar aqueles que adoram o gênero mais alegre da sétima arte.

Belezas em Revista / Footlight Parade: Este filme de 1933 pode ser dividido em dois: um sobre os bastidores de espetáculos musicais e outro somente com os números ensaiados. A meia hora final é usada quase toda para a dança, contando com “By a Waterfall”, “Shanghai Lil” e “Honeymoon Hotel”. 

A Alegre Divorciada / The Gay Divorcee (The Continental – 8 min): A canção ganhadora do primeiro Oscar de Melhor Canção Original foi adicionada ao filme por sugestão da protagonista Ginger Rogers. Ela é apresentada durante longos minutos, sob forma instrumental e também cantada por Ginger, Fred e um ator, além de servir de trilha para um balé.
Um dia nas corridas / A day at the races (The Swing – 7 minutos): As comédias dos irmãos Marx sempre tinham um momento dançante, parodiando os pomposos musicais da época. Em 1937, antes da longa sequência do Swing, citado acima, Harpo ainda transforma um piano em uma harpa de forma espetacular.

Os Sapatinhos Vermelhos / The Red Shoes: O belo filme inglês a cores conta a história de uma bailarina (Moira Shearer) dividida entre o amor de um maestro e de um compositor. Com seus sapatinhos vermelhos encantados, ela apresenta a única dança do filme em 15 minutos de um balé digno de ser apresentado nos melhores teatros.

Sinfonia de Paris / An American in Paris (The American in Paris Ballet – 17 min): O clímax deste ganhador de seis Oscars é um suntuoso número com muitas trocas de cenário e figurinos por parte de Gene Kelly e Leslie Caron. Inspirado em obras de grandes pintores franceses, o balé levou seis meses para ser ensaiado.

Nasce uma Estrela / A Star is Born (Born in a Trunk – 18 min): As plateias de 1954 perderam muito quando foram ao cinema conferir Judy Garland e James Mason na refilmagem do drama de 1937. Isso porque o filme foi distribuído sem a longa sequência musical em que Esther Blodgett / Vicky Lester conta sua trajetória nos palcos. O número foi reintegrado ao filme em 1983. Além disso, o filme conta com "Someone at Last", com sete minutos e meio.
Amor, sublime amor / West Side Story: A versão nova iorquina de Romeu e Julieta é bastante longa por conta de seus elaborados números musicais: só o prólogo com os Jets demora oito minutos, “América demora sete, Gym Mambo” tem mais de seis... e por aí vai.

O show deve continuar / All that Jazz (Bye Bye Life – 9 minutos): Joe Gideon (Rob Scheider), alter-ego do diretor Bob Fosse, tem uma experiência transcendental em um grande espetáculo, onde se despede da vida em grande estilo.

Assistam os números clicando nas palavras destacadas... se aguentarem!
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