Como um cavalo pode
ajudar a salvar um sanatório? Ganhando uma importante corrida. E se os
envolvidos nessa corrida forem um trio tão maluco quanto os divertidos irmãos
Marx?
O médico veterinário
Hugo Z. Hackenbush (Groucho Marx) é chamado para trabalhar como médico
psiquiatra (!) no sanatório de Judy (Maureen O’Sullivan), que está à beira da
falência. Na instituição o caso mais grave é o da senhora Emily Upjohn
(Margaret Dumont), uma rica mulher que aparentemente não sofre de doença
alguma. E é esse o problema: ela quer que os médicos encontrem algo errado nela
e Judy também deseja que isso aconteça, ou vai perder sua mais rica paciente. O
namorado de Judy, o cantor Gil (Allan Jones) é dono do cavalo Hi-Hat, que se
torna a grande esperança quando surge uma corrida com um bom prêmio. Stuffy
(Harpo Marx) será o jóquei.
Este segundo filme deles
na MGM repete uma tendência vista no primeiro: a inserção de um romance e
números musicais em meio à anarquia dos irmãos. A saída de Zeppo do grupo
deixou espaço para que fosse inserido um personagem menos maluco, papel aqui de
Allan Jones, que também atuou e cantou em “Uma noite na ópera” e “Show Boat”
(1936).
Mesmo antes de “Uma
noite na ópera / A night at the opera” (1935) chegar aos cinemas, os
roteiristas da MGM já estavam trabalhando neste filme. Depois de serem escritos
18 roteiros, finalmente o produtor Irving G. Thalberg permitiu que a produção
começasse. Mas, duas semanas depois, ele faleceu aos 37 anos, causando caos no
estúdio e selando o destino dos Irmãos Marx, que eram como protegidos dele. Groucho
chegou a afirmar que com a morte de Irving ele perdeu a vontade de fazer
filmes.
A corrida de cavalos é o
clímax do filme, e uma longa e divertida sequência se passa no jóquei clube:
quando Chico passa uma mensagem em código para Groucho, de modo a ajudá-lo a
ganhar dinheiro apostando nas corridas. No entanto, quem fica um pouco mais
rico ao longo da cena é Chico, que vende vários livros para Groucho decifrar o
código que ele havia lhe dado.
Meu favorito entre os
irmãos sempre será Groucho, que tem excelentes momentos e frases hilárias. Com
um raciocínio que me causa inveja, ele sempre pensa numa resposta para sair das
mais complicadas situações. E olhe que o estúdio teve de enfrentar uma dessas
situações: no início da produção, o nome da personagem de Groucho era Dr. Quackenbush.
No entanto, havia 37 veradeiros doutores Quackenbush que podiam processar a
MGM, que teve de mudar o nome da personagem. Groucho acabou por gostar da
mudança, tanto que até assinava cartas como Hugo Z. Hackenbush de vez em
quando.
No filme há bons
momentos de Chico e Harpo, em especial durante o grande concerto de Gil, em que
eles fazem uma grande confusão. Numa das melhores cenas cômico-musicais, Harpo
vai destruindo um piano até transformá-lo em uma harpa. A MGM, berço dos
maiores musicais do cinema, inclui números musicais longos no filme. O segundo
deles conta com uma multidão de negros, incluindo a então desconhecida Dorothy
Dandrige. Anos depois, esta sequência foi cortada para a exibição do filme na
televisão, devido ao racismo.
É o mais longo filme dos
irmãos Marx, embora não chegue nem às duas horas de duração. Foi também a única
produção deles a receber uma indicação ao Oscar, de Direção de Dança, sendo que
1938 foi o último ano em que existiu esta categoria. E para completar as
honras, foi o filme dos irmãos que arrecadou mais dinheiro da bilheteria:
quatro milhões de dólares.
Provando o que Chico
disse no filme anterior, de que não há cláusula de sanidade (“There ain’t no sanity clause!”) também no cinema, os irmãos fazem mais uma comédia inspirada e
divertidíssima, terminando o filme com uma frase que logo se tornaria antológica
na história cinematográfica: “Tomorrow is another day.”.
This entry is part of the very first Horseathon, hosted by the lovely Page at My Love of Old Hollywood







































