quinta-feira, 16 de maio de 2013

Howard Hawks: o rei do riso

Alguns diretores ficaram conhecidos por se especializar em um gênero de filme. Assim, Hitchcock é o mestre do suspense, mesmo tendo feito a incomum comédia “Um casal do barulho / Mr and Mrs. Smith” (1941); John Ford é o rei dos westerns, mas não ganhou nenhum de seus quatro Oscar de Melhor Diretor dirigindo caubóis; e Frank Capra sempre esteve pronto para nos fazer rir e refletir. Howard Hawks, como muitos outros, se aventurou em mais de um gênero, mas não importa se eram comédias ou westerns, ele sempre usou muito humor em suas produções.

Sim, Hawks estava por trás de “Levada da Breca / Bringing Up Baby” (1938) e “Jejum de amor / His girl Friday” (1940), mas também foi o responsável por levar às telas “A girl in every port” (1928), “Scarface” (1932), “Sargento York” (1941) e “À beira do abismo / The big sleep” (1946). Com Cary Grant trabalhou em quatro comédias: além das duas já citadas, Hawks e Cary fizeram “A noiva era ele / I was a male war bride” (1949) e “O inventor da mocidade / Monkey Businness” (1952). Seu grande amigo e colaborador, entretanto, foi John Wayne, com quem trabalhou em cinco ocasiões. John foi o responsável pelo discurso no funeral de Hawks, no final de 1977.    

Se “Rio Vermelho” (1948) tem seu momento de subtexto homossexual, “Onde começa o inferno / Rio Bravo” (1959) é o western mais divertido de Hawks. John Wayne e um xerife de pequena cidade que prende o irmão de um homem poderoso e deve mantê-lo na cadeia até a chegada de um juiz. Para essa perigosa tarefa, ele conta com qyatro companheiros muito divertidos: um amigo bêbado e abandonado por uma mulher (Dean Martin), um velho manco (Walter Brennan), um jovem cantor (Ricky Nelson) e uma cantora de saloon (Angie Dickinson). Este filme divertido foi uma resposta venenosa a “Matar ou morrer / High Noon” (1952), pois ambos, Wayne e Hawks, não apreciaram a história do xerife que roda a cidade em busca de ajuda para liquidar três bandidos, sendo que o resultado final em nada agradou Gary Cooper. 
Outra parceria com Walter Brennan que rendeu momentos memoráveis foi em “Uma aventura na Martinica / To have and have not” (1944), em que o personagem de Brennan rouba a cena sempre que aparece, em especial quando pergunta: “você já foi picado por uma abelha morta?” (Was you ever bit by a dead bee?).

“O rio da aventura / The big sky” (1952) também tem seus momentos divertidos, em especial com o inesquecível índio Pobre Coitado (“Poordevil” em inglês, interpretado por Hank Worden) que se junta a Kirk Douglas para transportar uma carga rio acima. A cena da amputação, que é mais engraçada do que se pode imaginar, foi idealizada por Hawks para o filme “Rio Vermelho”, mas John Wayne não aceitou fazê-la. Ao ver como a cena saiu, aqui executada por Kirk Douglas, Wayne se arrependeu de não tê-la feito.

“Hatari” (1962) é uma das poucas produções de Hollywood que se passa na África e, novamente, John Wayne é a estrela. Aqui fica claro desde o começo que havá humor, embora aconteça um grave acidente de caça logo nos primeiros minutos. A chegada da fotógrafa belga Dallas (Elsa Martinelli) causa alvoroço em um grupo de homens que capturam animais para zoológicos. Dallas acaba se tornando a mãe postiça de três adoráveis elefantinhos.  

Algumas das melhores interpretações de Cary Grant vieram em filme de Hawks. Por duas vezes sob a câmera do diretor, Grant se travestiu: com um roupão feminino em “Levada da Breca / Bringing Up Baby” e com todo o uniforme militar feminino e uma peruca em “A noiva era ele / I was a male war bride”.  Charmoso, Grant teve a valiosa ajuda dos excelentes diálogos, marca registrada de vários filmes de Hawks, para criar alguns personagens inesquecíveis.
Um criador de estrelas que deixava atores e atrizes participarem do processo criativo, um galanteador, cunhado de Norma Shearer nos anos 1930. O homem que deixou "Casablanca" (1942) nas mãos de Michael Curtiz para dirigir "Sargento York", Hawks foi ousado, inteligente e alguém a quem os cinéfilos devem vários bons momentos.
This is my contribution to the Howard Hawks blogathon, hosted by Ratnakar at Seetimaar-Diary of a Movie Lover. 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Making-off: documentários cinematográficos – Parte 2

E lá vamos nós!

Diabo da Tasmânia: a vida rápida e furiosa de Errol Flynn (2007): Errol viveu apenas 50 anos, mas foi intensamente. Seus amores, escândalos, muitos sucessos e diversas curiosidades estao nesse documentário. Você sabia, por exemplo, que, pouco antes de morre, ele entrevistou Fidel Castro durante a Revolução Cubana?

Hitchcock, Selznick e o fim de Hollywood (1998): Quando David Selznick trouxe Alfred Hitchcock da Inglaterra, o sistema de estúdio estava no auge em Hollywood. Ele assinou contrato com Selznick e fez vários filmes medíocres neste período. Seu apogeu só chega com a decadência do sistema de estúdio.

Um perfil de “Os Sapatinhos Vermelhos” / A profile of “The Red Shoes” (2000): Meia hora é muito pouco para tratar de um filme tão mágico e revolucionário quanto este musical de 1948.

Fellini: eu sou um grande mentiroso (2002): Os colaboradores ainda vivos de Fellini na época foram os destaques deste documentário. Com entrevistas menores dos envolvidos já falecidos, como Mastroianni, Giulietta Masina e o próprio Fellini.

Testemunha imaginária: Hollywood e o Holocausto (2004): O tema é promessa certa de lágrimas nas plateias. Já existente durante o Holocausto mas, como o resto do mundo, alheia a ele, Hollywood produziu filmes incríveis aqui discutidos, entre os quais “A escolha de Sofia” (1982) e “A lista de Schindler” (1993).

A era de ouro da música no cinema: 1965/1975: O cinema como um todo se renovou nos anos 1960 e 1970. Não poderia ter sido diferente com as trilhas sonoras, gerando músicas muito originais e inesquecíveis.

Enfim, o cinema (2011): Aqui os irmãos Lumiére não são o começo, mas o fim da jornada. As técnicas de ilusionismo e animação foram desenvolvidas ao longo do século XIX por grandes cérebros hoje esquecidos, mas que foram fundamentais para a criação do cinema.

O som de Hollywood (2009): Se hoje os filmes são coroados por trilhas sonoras e compositores têm emprego garantido em Hollywood, devemos agradecer ao austríaco Max Steiner. A influência deste brilhante compositor, assim como as características e desafios da profissão, são analisados neste documentário.

Stardust: A história de Bette Davis (2006): Narrado por Susan Sarandon, conta com depoimentos em vídeo e em voz de diversos ícones que conheceram e trabalharam com Bette. Sua vida pessoal também é abordada, com forte presença do filho adotivo Michael e da ex-babá que se casou com seu terceiro marido. Polêmicas à parte, o documentário fica mais rápido e menos detalhado a partir dos acontecimentos da década de 1950.

O possesso Peter Finch (2011): Usando como título a icônica frase que Howard Bale, personagem que rendeu um Oscar a Finch, manda os telespectadores de seu programa gritarem (“Estou possesso e não vou mais aguentar isso!”), o documentário colhe depoimentos de colegas e, em especial, dos familiares para desvendar esse ator australiano com altos e baixos na vida e na carreira.

Olhar Estrangeiro (2006): Este documentário brasileiro mostra como nosso país é visto lá fora. Boa parte dessa visão é refletida nos filmes feitos por estrangeiros sobre nosso país, sempre com uma boa dose de estereótipos. Vários atores e diretores são entrevistados, embora a quantidade de filmes antigos citados seja bem reduzida.

Truffaut, Godard e a Nouvelle Vague (2008): Jovens críticos da Cahiers du Cinéma, descontentes com as produções da época, resolvem começar um tipo diferente de cinema que lhes agrade. Fica latente que Truffaut foi o principal cérebro do movimento e eu, em particular, fiquei morrendo de vontade de colocar minhas mãos em algum exemplar dessa revista histórica.

Para terminar, respondo às 11 perguntas que me foram feitas pela Samy do blog Meu diário vintage:

1. Por que você gosta do seu blog?
Meu blog me aproxima do mundo, das pessoas que gostam das mesmas coisas de que eu gosto ou que estão dispostas a aprender sobre elas. Através dele conheci pessoas excelentes. 2. Qual foi a intenção ao criá-lo?
Compartilhar curiosidades sobre o mundo do cinema antigo, pois às vezes as partes mais interessantes de um filme são as histórias dos bastidores.
3. Você tem segredos de beleza?
Nunca saio sem batom!
4. Qual ou quais são os livros que você esta lendo no momento?
“O Processo”, de Franz Kafka, e “Max e os felinos”, de Moacyr Scliar
5. Uma música para o presente momento?
Minha música sempre será “My Way”, na voz de Frank Sinatra
6. Você tem alguma historia interessante sobre o seu namoro/noivado/casamento para contar?
Sou solteira.
7. Qual foi o melhor momento pra você, até agora, desse ano de 2013?
A Feira do Livro que aconteceu recentemente (acabou semana passada) foi muito proveitosa. Também fui escolhida para fazer parte de duas coletâneas internacionais de contos. Mas, como sou otimista, acredito que o melhor momento ainda está por vir! : )
8. Como planeja o seu futuro?
Minuciosamente.
9. O que tem sobrando no seu armário no momento?
Coisas que, infelizmente, não posso usar porque está frio.
10. Você acha que se conhece mais ou os outros te conhecem melhor que si mesma?
Eu me conheço mais que os outros, mas mesmo assim ainda me surpreendo.
11. Se fosse outra época, outro lugar, outro espaço... Diga em qual você viveria?
Hollywood nos anos 20 ou Hollywood hoje, durante o TCM Classic Film Festival.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Romance of the Underworld (1928)

Quem se lembra de Mary Astor? Normalmente ligada a seu papel mais famoso, Brigid O’Shaughnessy (um dos melhores nomes de personagem) em “O Falcão Maltês” (1941), Mary foi muito além, ou melhor, muito aquém: esta coadjuvante de luxo foi uma importante protagonista nos anos finais do cinema mudo, contracenando com nomes da importância de John Barrymore. Popular e talentosa, embora com alguns problemas familiares, Mary é a força motriz de “Romance of the Underworld”.
Judith “Judy” Andrews (Mary Astor) trabalha em um speakeasy, um bar que vendia bebidas e armas na época da Lei Seca e era frequentado por pessoas de reputação duvidosa (Judy é uma espécie de Sweet Charity de 1928). Logo após perder a mãe, ela decide abandonar o emprego e o namorado que lhe tira todo o dinheiro, Derby Dan Manning (Ben Bard). Embora ele próprio esteja mais interessado na garota do chefe, Champagne Joe (Oscar Apfel), ele não aceita ser abandonado. Joe é preso e Judy tenta ganhar a vida honestamente, estudando e trabalhando como passadeira e depois garçonete, mas seu passado volta sempre para atormentá-la, até mesmo quando ela conhece um homem rico e bondoso, Stephen Ransome (John Boles).
Um filme centrado no então presente momento, com a Lei Seca em vigor, era bastante oportuno. Antes da invenção oficial dos filmes de gângster, três anos depois, em 1931, com Edward G. Robinson em “Alma no Lodo / Little Ceasar” e James Cagney em “Inimigo Público / The Public Enemy”, este filme já apresenta um fora-da-lei memorável, que bem lemra o Tom Powers de Cagney, embora este não tenha uma moça boazinha como contraponto.
Em 1928 já havia filmes falados, poucos, é verdade, mas este sequer tem trilha sonora em sua versão online. Originalmente, havia alguns efeitos sonoros.  Mary, estrela popular na época, ganhava 3750 dólares por semana durante as filmagens, uma pequena fortuna.
Mary Astor nasceu Lucile Vasconcellos Langhanke, filha de pai alemão e mãe de ascendência portuguesa e irlandesa. Assim como tantos pais de reality shows atuais, os pais de Mary começaram a inscrevê-la em diversos concursos de beleza, até que um deles teve como prêmio levar a linda menina de 14 anos para Hollywood. O ano era 1920 e os sonhos dos pais aproveitadores dela estavam para se tornar realidade.
O filme foi baseado em uma peça homônima de Paul Armstrong e é um remake. A primeira versão foi rodada dez anos antes. O próprio título, e aqui me refiro ao original e não à tradução para o português, talvez seja um pouco errôneo por o romance de maneira alguma se desenvolver no submundo, ou entre dois personagens do submundo. Algumas vezes, o filme também é chamado de "Romance and bright lights".  
Seus colegas de cena não são muito conhecidos. Ben Bard, interpretando normalmente personagens obscuros, tem como trabalhos notáveis "Sétimo céu" (1927) e duas contribuições com o diretor Val Lewton na década de 1940. John Bowles contracenou com Shirley Temple e seu papel mais famoso é o do curioso Victor em "Frankenstein" (1931). Oscar Apfel, o gângster-mor da película, é o mais famoso, tendo sido um prolífico diretor no cinema mudo, cuja maioria de atuações não foi creditada. O próprio diretor, Irving Cummings, também havia sido ator anos antes. 
A estrela do cinema mudo que não podia ser protagonista de sua própria história sobreviveu à chegada do som, mas passou a fazer papéis coadjuvantes, e entre eles destaco o de mãe de Judy Garland em “Agora seremos felizes / Meet me in St. Louis” (1944). Graças a sua amiga Bette Davis, foi escalada para o filme “A Grande Mentira / The Great Lie” em 1943, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Mary trabalharia até 1964. Em sua aposentadoria, escreveu uma autobiografia apenas sobre sua vida pessoal, um livro sobre seus filmes e cinco romances.   
Esta pérola do último suspiro do cinema silencioso, além de mostrar a beleza e capacidade de Mary Astor, relativamente novas pra mim, fez também um grande favor, e espero que o faça a vocês também: lembrou-me de todas as maravilhas escondidas nos filmes mudos.

“Romance of the Underworld” (1928) está disponível no YouTube.

This is my contribution to the Mary Asthor blogathon, hosted by Dorian at Tales of the Easily Distracted and Ruth at Silver Screenings. Awesome job, gals!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Making-off: documentários cinematográficos – Parte 1

Nós adoramos ver o que os atores fazem em frente às câmeras, mas atrás delas às vezes a vida pessoal de astros e estrelas de cinema pode ser tão ou mais interessante que um filme. Por isso os documentários se tornam tão populares e são um deleite para qualquer fã. Feitos em sua maioria após a morte do assunto do documentário, eu selecionei várias produções que recomendo:

That’s Entertainment!: Em comemoração aos 50 anos da MGM, esta produção reuniu um dos mais espetaculares elencos já vistos pelo olho humano. A missão desses astros era apresentar clipes que reviviam a época de ouro do estúdio e de seus alegres musicais. Com o sucesso do primeiro, lançado em 1974, teve origem uma trilogia e um spin-off, “That’s Dancing!”.
Bette Davis, um magnânimo vulcão / Bette Davis: a basically benevolent volcano (1983): A própria Bette nos narra sua trajetória, desde a infância em Boston até o estrelato em Hollywood, demonstrando o que todos os seus fãs já sabiam: que era uma mulher forte e decidida. Um dos deleites é um clipe de “Fashions of 1934”, em que ela se veste de Greta Garbo. O documentário está disponível em oito partes no YouTube.
Rita Hayworth: Dancing into the dream (1990): Sim, nossa querida Rita começou como dançarina fazendo para com seu pai, e foi dançando que ela entrou em Hollywood. Neste interessante documentário, o destaque é para a filha Yasmin, uma verdadeira princesa e a única das duas filhas de Rita a aparecer no vídeo.

Bacall on Bogart (1988): Lauren nos acompanha pelos estúdios em uma viagem pela vida e carreira de seu primeiro marido. Com clipes interessantes e ótimas histórias, ela traz ainda várias entrevistas, e eu destaco a de Katharine Hepburn. Assista-o sem legendas AQUI.
Além dos maiorais: ítaloamericanos e o cinema (2008): Se a versão assistida não contar com a identificação dos entrevistados, o documentário pode ficar um pouco confuso. Caso contrário, a sensação que fica é que ele é curto demais para tantas informações interessantes.
Aprendendo a falar: Um dos mais primorosos documentários cinematográficos mostra que o desejo de adicionar som às imagens em movimento é tão antigo quanto o cinema, assim como o são as experiências feitas para esse intento. 
A década que mudou o cinema / A decade under the influence (2003): Os próprios cineastas responsáveis por esta revolução na maneira de fazer cinema comentam as influências que tiveram, as histórias por trás de seus filmes e o impacto deles na época e hoje. Destaque para a camisa florida de Francis Ford Coppola

Essas sombras assombrosas / These amazing shadows (2011): Uma obra obrigatória para todos que amam cinema clássico. A preservação de uma série de películas escolhidas anualmente para fazer parte do arquivo do American Film Institute é o tema, e a melhor abordagem é sem dúvida apresentar quem batalhou para que cada filme entrasse nesta seleta lista. Veja esta pérola AQUI.
Clark Gable: Tall, Dark and Handsome: O rei de Hollywood ganhou um documentário à altura em 1996. Seu filho, que ele nao conheceu, e a filha com Loretta Young, que foi escondida a vida toda, têm alguns dos depoimentos mais reveladores. Veja um trecho:
François Truffaut: uma autobiografia (2004): Uma autobiografia feita décadas após a morte do biografado, algo que só seria capaz com Truffaut. A cena de “Os incompreendidos”, em que os meninos roubam fotos de Cidadão Kane de um cinema, é refeita com fotos dos filmes de Truffaut no lugar, em uma emocionante homenagem. As palavras de Woody Allen e a música final também são destaques.

Terror Universal (1998): Narrado por Kenneth Branagh, faz uma viagem por duas décadas em que a Universal reinou com seus filmes de terror (1920-1940). Além de analisar as produções, há também trechos de filmes europeus que influenciaram essa generosa safra do terror. Além disso, é a oportunidade de desvendar efeitos especiais que impressionaram os cinéfilos.
Teen Spirit: Adolescentes em Hollywood (2009): De James Dean a High School Musical, passando por Ferris Bueller e o Clube dos Cinco. A imagem do adolescente passou por diversas mudanças ao longo dos últimos cinquenta anos, e tudo isso graças à sétima arte.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Variações sobre um mesmo tema: Nosferatu (1922 e 1979)

Eu não sou uma pessoa (muito) medrosa, mas há coisas no cinema clássico que me deixam de cabelo em pé, conforme escrevi nesse post. Uma delas é Nosferatu, o vampiro feioso de sombra aterrorizante. Como se não bastasse haver um vampiro estranho, há outro: o Nosferatu de Klaus Kinski, menos feio e horripilante que o de Max Schreck. Foi só depois de ver Kinski que resolvi encarar a versão original que, já aviso, é muito melhor.

Nosferatu nada mais é que o Conde Drácula na versão alemã. Como os herdeiros de Bram Stoker, criador de Drácula, não deixaram o diretor F. W. Murnau usar o nome do personagem, ele apenas mudou os nomes para fazer o filme. Claro que depois teve de enfrentar uma ação judicial, mas valeu a pena: esse clássico de 1922 é um dos melhores filmes mudos da história.
Assustadoramente romântico

Todos conhecemos a história: um agente imobiliário vai até o castelo de um aparentemente respeitável conde, e lá descobre que ele gosta de beber sangue. O agente não volta para contar a história (calma! Ele só está preso no castelo), mas o conde vai para a cidade atrás da esposa do agente, uma moça por quem ele se apaixonou após ver uma foto. O filme de 1922 é contado através de um diário de bordo, do mesmo jeito que Stoker escreveu seu livro.
O jogo de luz e sombras, muitas sombras, ajuda a criar o clima de filme de terror. As películas mudas lidam com nosso medo mais primitivo e quase todas as crianças têm medo de sombras e ruídos desconhecidos. Demorei algum tempo até criar coragem para ver o filme, mas não pensem que foi só comigo que isso aconteceu: na Suécia, o filme foi até banido por excesso de horror e só liberado em 1970! Apesar de Nosferatu ficar apenas nove minutos em cena, ele aproveita cada segundo para nos assustar.
Klaus Kinski não era bonito (mesmo assim ele ficava quatro horas fazendo a maquiagem de vampiro), mas a figura de Schreck beirava a bizarrice, pelo menos no filme. Um ator de teatro, Max estreou no cinema em 1920 e trabalhou em 45 filmes até sua morte, em 1936, aos 56 anos. O filme “Shadow f the Vampire” (2000), com Willem Dafoe, inclusive sugere que Schreck era um vampiro de verdade, que concordou trabalhar com Murnau em troca da protagonista feminina de Nosferatu, Greta Schröder. Greta tinha história em filmes de terror: ela é a moça que segura uma rosa em uma cena de “O Golem” (1920) e, quatro anos antes, havia adaptado “O fantasma da ópera” para o cinema alemão. Apesar de atuar nesse grande clássico, Greta não atingiu o estrelato e, claro, não se casou com Schreck.
Max sem maquiagem
Outras teorias, estas menos fantasiosas, sugerem que Nosferatu é uma grande alegoria anticomunista. Nosso querido Nosfie seria a figura de Lênin, que traria o perigo vermelho junto com várias pragas, simbolizadas pelos ratos que seguem o conde até a cidade, espalhando a peste negra. No filme de 1979, aliás, não são mostrados os ratos entrando no caixão em que o conde viaja, de modo que fica subentendido que ele trouxe a praga.
O Nosferatu de Herzog conta também com muitas sombras, tomadas escuras e música de suspense. Kinski, graças a sua boa atuação, voltaria a interpretar o vampiro em "Nosferatu em veneza", filme italiano de 1988. Isabelle Adjani, a donzela indefesa e única a acreditar que o conde é um vampiro, está excelente e muito pálida. Já sentimos um frio na espinha com as múmias ao começo do filme e cada ataque do vampiro é um novo momento prendendo a respiração. 
Klaus Kinski e Isabelle Adjani
Herzog fez uma bela homenagem ao original, e utilizando-se de uma equipe técnica de apenas 16 pessoas (a versão original contava com 24 pessoas mais o elenco, segundo o IMDb). Mas, a exemplo de 99% dos remakes, não superou a primeira versão. Graças a Murnau, temos um dos filmes mudos mais aterrorizantes já feitos e a ideia errônea de que os vampiros não suportam a luz do dia. Fique avisado: se você estiver face a face com um vampiro, siga os ensiamentos do Drácula de Bela Lugosi e finque-lhe uma estaca no peito!

Nosferatu (1922) está disponível no YouTube, Internet Archive e no VideoLog.
This is my contribution to the Terrorthon, hosted by Page at My Love of Old Hollywood and Rich at Wide Screen World. BOO!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

James Cagney: memórias (vlog)

Eu adoro participar de blogagens coletivas (blogathons) e fiquei em êxtase quando descobri que haveria uma em homenagem a meu ator favorito de todos os tempos: James Cagney. Aí surgiu o problema: eu não sabia sobre o que escrever. Já havia escrito críticas sobre vários de seus filmes, de diferentes gêneros, e também já abordei a vida do ator. Foi quando surgiu a ideia de falar de Jimmy de maneira mais intimista e, literalmente, “falar” sobre ele: hoje o post é em vídeo.
Como a blogathon é internacional, gravei um vídeo em português, para meus leitores brasileiros habituais, e um em inglês. Já me desculpo com quem fala outra língua, mas creio que estas duas opções já ajudam a mensagem a chegar a um público bem grande.
Luzes, câmera, ação!

Versão em português:

Versão em inglês: 


Resenha de “A canção da vitória / Yankee Doodle Dandy” (1942): http://criticaretro.blogspot.com/2011/03/cancao-da-vitoria-yankee-doodle-dandy.html
Resenha de “Cupido não tem bandeira / One, two, three” (1960): http://criticaretro.blogspot.com/2011/05/cupido-nao-tem-bandeira-one-two-three.html
Post “10 razões para admirar James Cagney”:  http://criticaretro.blogspot.com/2012/08/10-razoes-para-admirar-james-cagney.html
 
P.S.1: Por coincidência, esse vídeo foi gravado no 27º aniversário de morte de James Cagney, 30 de março de 2013. Uma data bem propícia para uma homenagem.
Obrigado, Letícia, não precisava!
P.S.2: Se você e uma pessoa bem-informada e acompanha diversos blogs, deve estar sabendo que o Google Reader encerrará suas atividades no dia primeiro de julho. Para não perder nenhuma atualização do blog Crítica Retrô e de seus outros blogs favoritos, transfira agora sua lista de leitura para o Bloglovin, é fácil e rápido. Você pode começar a tarefa seguindo o blog pelo Bloglovin através do botão na barra lateral.
Leia as outras contribuições para James Cagney Blogathon aqui.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Movie Icons: um presente para os olhos

O que mais encanta um cinéfilo são as imagens mágicas que passam na tela. Não é à toa que muitos livros sobre cinema usam e abusam das imagens em suas páginas, às vezes apresentando menos textos que figuras. A coleção “Movie Icons” não foge à regra, mas apresenta com maestria imagens belíssimas dos mais cultuados astros do cinema. 

A editora Taschen publica livros de vários assuntos e foca seus trabalhos em coletâneas de fotografias. Além da série “Movie Icons”, ela publica a coleção “Music Icons”, que já homenageou Bob Dylan, Michael Jackson e John Lennon. A editora foi fundada em 1980 na Alemanha e surgiu para publicar a coleção de quadrinhos de seu fundador, Benedikt Taschen. Sua linha aumentou e encobre desde bizarrices até arquitetura, pintura e, claro, cinema.

Foram publicados até agora 26 livros com a trajetória de diversos astros e estrelas do cinema, sendo que os primeiros vinte homenageados foram escolhidos em votação pelos leitores. As últimas adições à coleção são personalidades ainda vivas, como Woody Allen, Robert De Niro, Clint Eastwood, Al Pacino Sean Connery e Johnny Depp. Não gosto muito de livros sobre carreiras de pessoas ainda vivas, porque ficam desatualizados rapidamente.
Entre as outras estrelas homenageadas estão Elizabeth Taylor, Grace Kelly, Audrey Hepburn (que com certeza deram origem a belíssimos livros), Chaplin, os irmãos Marx, Cary Grant, Frank Sinatra, Marlon Brando, James Dean, Humphrey Bogart, Marlene Dietrich e Mae West. Eu tenho apenas dois livros da coleção, com imagens de Greta Garbo e Katharine Hepburn.     
My babies 
A maioria das imagens foi retiradada da Koball Collection. Eu nunca havia visto muitas delas até comprar os livros. Isso inclui cenas de bastidores, artigos de jornal, retratos, fotos publicitárias, pôsteres e capas de revistas. Elas são de encher os olhos, maravilhosas mesmo em preto-e-branco. Os textos que as acompanham vêm em três línguas: italiano, espanhol e português. Como a tradução segue a gramática de Portugal, vez ou outra surge um termo diferente para os leitores brasileiros, como “ecrã” ao invés de “tela”.
Por dentro do livro de Ingrid Bergman
E da Liz
E da Marilyn
Muito trabalho é necessário para criar um desses livrinhos de 192 páginas. Além da escolha cuidadosa de imagens, a bibliografia é extensa, como se pode observar pelos créditos na última página. Para recolher detalhes de dentro e fora das telas, além de várias citações, é preciso que o autor percorra páginas e mais páginas de escritos sobre cada um desses ícones. Paul Duncan é o editor da maioria dos livros e tem uma extensa obra publicada pela Taschen.
Nas lojas americanas, como a Barnes & Noble, cada livro sai por menos de dez dólares. No Brasil, os preços variam de 29 a 40 reais. Comprei meus dois exemplares por 29,90 cada. Apesar de pequenos no formato, os livros são um pouco pesados e o papel é de ótima qualidade. Pela análise do título “Movie Icons” fica claro que ainda faltam muitos ícones a serem inseridos nessa série que é, sobretudo, um trabalho de amor às imagens eternas das lendas do cinema.

P.S.: Como muitas pessoas ficaram interessadas pelo filme analisado no último post, deixo aqui o link de “Modas de 1934”, completo e legendado, no YouTube:  http://www.youtube.com/watch?v=qyEoWkmYqWY

quinta-feira, 28 de março de 2013

Modas de 1934 / Fashions of 1934

A relação do cinema com a moda começou na década de 1920, quando pela primeira vez as moças da plateia se inspiraram nas atrizes para criarem sua forma de vestir. Desde então, foi sempre o cinema que inspirou a moda de diversas maneiras. Ou quase sempre. Numa situação inédita, em 1934, um filme retratou o mundo da moda e, apesar de não estar entre os mais memoráveis filmes da época, ainda impressiona pela modernidade do tema.
Sherwood Nash (William Powell) é um empresário falido que decide entrar no mundo da moda associando-se à estilista Lynn Mason (Bette Davis). As técnicas de Nash não são muito honestas, e incluem copiar modelos franceses ou mesmo velhas roupas que já não são mais usadas. Logo ele fica sabendo que essas práticas são comuns no mundo da moda e muitos dos empresários que o haviam acusado de falsificação acabam virando seus clientes.
Assuntos como falsificação, cópia de modelos e lançamento de tendências com materiais diferentes são assuntos fashion até hoje. Se antes as falsificações eram abomináveis, dependendo do lugar, muitas são aceitáveis por tornarem acessíveis produtos com design semelhante aos que são mostrados na passarela. Outras adaptações semelhantes trazem tendências para as mãos do povo, que dificilmente poderia comprar um original de grife. Claro, isso ainda não era pensado ou discutido na década de 1930, mas a personagem de Bette Davis já tem a semente dessa ideia em seu travesso cérebro.
Um pouco de chantagem também faz parte do show, pois Nash reconhece uma velha amiga de infância que se faz passar por duquesa (Verree Teasdale) e está de casamento marcado com um homem rico. Ameaçando contar o passado da amiga, Nash consegue que ela patrocine o desfile deles.
Uma câmera na bengala: brilhante ideia!
Em Paris, onde se passa a maior parte da ação do filme, um criador de avestruzes incentiva Nash a comprar as penas de suas aves para usá-las nas confecções. Ele hesita, mas logo imagina que pode lançar algo completamente diferente. E você imaginava que inspirações da natureza no mundo da moda são coisa recente?
O próprio lançamento da coleção de Nash e Lynn é um espetáculo à parte, o clímax do filme que, como uma boa produção da Warner em meados da década de 1930, contou com um número elaborado pelo sempre criativo Busby Berkeley, conhecido por suas sequências de dança filmadas do alto, criando formas geométricas na tela em preto e branco nos filmes “Rua 42 / 42th Street” (1933), “Cavadoras de Ouro / Gold diggers of 1933” e “Damas” (1934). Ao som da canção “Spin a little web of dreams”, o desfile apresenta as roupas brancas enfeitadas com penas através de um charmoso balé, com a formação de diversas flores e depois de um barco, todos esses efeitos conseguidos com a bela coreografia das modelos. Bem que os desfiles de moda atuais podiam se inspirar neste filme, não?   
Bette Davis, antes ainda do início de sua glória no cinema, tem pouco espaço no filme, que é quase todo do já veterano William Powell, responsável pelos momentos cômicos. Bette, aliás, ainda nem impõe a própria imagem, uma vez que, no primeiro desfile em Paris, ela aparece como um clone de Greta Garbo para Warner Brothers. No documentário biográfico “Bette Davis: um magnânimo vulcão”, de 1983, ela lembra como foi ridículo vestir-se de Garbo. Disposta a ficar feia para um bom papel, Bette só aceitou essa pitada falsa de glamour para convencer os executivos da Warner a deixarem-na fazer um filme na RKO: “Escravos do desejo / Of human bondage”, que foi seu primeiro passo para figurar entre as grandes intérpretes do cinema.

Não um dos melhores filmes de seus intérpretes, mas um espetáculo adorável, que talvez pecasse pelo excesso se tivesse sido filmado em cores. Mais que isso, um pedaço de história do cinema que estava prestes a acabar: um dos últimos filmes a serem lançados antes do Código Hays de conduta, “Modas de 1934” apresenta trocadilhos, frases de duplo sentido e muitas moças com roupas diminutas. Os figurinos foram feitos por Orry-Kelly, que, com quase 300 filmes no currículo, incluindo "Casablanca" e "Quanto mais quente melhor / Some like it hot", pelo qual ganhou o Oscar, hoje é pouco lembrado, embora seja parte importante do glamour e da magia de Hollywood.

This is my contribution to the second Fashion in Film blogathon, hosted by Angela at The Hollywood Revue. 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Orson Welles na cena do crime

Não são todos que gostam de filmes com crimes bárbaros, mas muitos grandes atores e diretores já se aventuraram por esse gênero, inclusive meu diretor predileto, o garoto prodígio Orson Welles. Quando Orson não está exatamente na cena do crime, pode apostar que ele estará em algum momento perto dos criminosos. Não vou citar os filmes em que ele é a vítima fatal do crime, pois não quero estragar obra nenhuma para quem não a tenha visto. O foco está em dois filmes feitos um após o outro e em que Welles está do lado negro da força.
Um de seus mais elogiados filmes, depois de “Cidadão Kane”, é “A marca da maldade / Touch of Evil”, de 1958. Adaptado para as telas, dirigido e estrelado por Welles, o filme parece, no começo, ser sobre o advogado Miguel ‘Mike’ Vargas (Charlton Heston), que já na primeira cena cruza inocentemente a fronteria dos Estados Unidos com o México no momento em que uma bomba explode. Ele passa a investigar o ocorrido, e para isso Mike terá de disputar a jurisprudência do caso com um ardiloso rival, Hank Quinlan (Welles), que possui uma figura por si só aterrorizante e está disposto a tudo para vencer, inclusive sequestrar e torturar a noiva de Mike (Janet Leigh). Veja bem que o caso em si nem é o foco da ação, apenas a disputa dos dois para ver quem se encarregará de ir aos tribunais. Imaginem agora o que Quinlan não seria capaz de fazer para vencer o caso! 

O personagem de Orson Welles, Jonathan Wilk, só aparece quando mais da metade do filme “Estranha Compulsão / Compulsion” (1959) já foi exibido. Até lá já sabemos que os inteligentes universitários Judd Steiner (Dean Stockwell, o nerd fofo e sinistro) e Arthur Strauss (Bradford Dillman, conversando com ursos de pelúcia) desafiaram as autoridades ultimamente, e o passo mais arriscado foi matar um menino da vizinhança, Paulie Kessler. Os jovens pensam ter cometido o crime perfeito, o santo Graal dos criminosos, mas os óculos de Judd são encontrados na cena do crime. Mais uma série de reviravoltas, tentativas de manipulação e até de estupro, e os dois estão no banco dos réus. O rico pai de Judd contrata Wilk, advogado ateu e polêmico, que, ao invés de defender a insanidade de seus clientes, como todos esperavam, resolve declará-los culpados, para que se livrem da pena de morte.     
No primeiro filme, os lugares mais sujos e mal-frequentados da fronteira são os cenários. Em um bar, Quinlan encontra um velho affair (Marlene Dietrich), que conhece muito bem o ardiloso chefe de polícia. Em contrapartida, os cenários principais do segundo filme retratam a classe alta que não está livre de problemas aterradores. As universidades, bibliotecas, parques e mansões podem muito bem ser frequentados por pessoas perturbadas que planejam crimes hediondos, mesmo que (ou de modo que) ninguém jamais possa desconfiar deles. 
Moral da história: não confie em pessoas obcecadas por pássaros
Welles voltaria a interpretar um homem da lei nem um pouco confiável em “O Processo / The Trial” (1962), em que tem de ajudar o pobre Anthony Perkins a se defender de uma acusação que nem ele nem o público sabe qual é. Mas, quinze anos antes de “O Processo”, Welles se viu literalmente na cena do crime, pois na vida real tornou-se suspeito do crime da Dália Negra, um verdadeiro assassinato de cinema. Dália Negra foi o apelido dado pela imprensa a Elizabeth Short, uma aspirante a atriz de 22 anos que foi assassinada em janeiro de 1947. Seu corpo foi encontrado em estado deplorável, cortado e dilacerado. Welles estava em meio ao caos de seu divórcio com Rita Hayworth e das filmagens de “A dama de Xangai” e muitas evidências foram suficientes para que, em 1999, ele fosse apontado como um dos suspeitos por uma vizinha da família de Elizabeth. Orson não estava filmando no dia do crime, viajou para a Europa pouco depois do ocorrido e lá ficou 10 meses, Elizabeth teria na época um encontro com um diretor de cinema e Welles fez para o filme cortes em manequins idênticos aos que o corpo da moça apresentava. As cenas com os manequins foram deletadas do filme por Harry Cohn e o crime nunca foi solucionado.  
Mesmo se os atos de Charles Foster Kane são reprováveis, se Michael O’Hara e sua dama de Xangai se veem envolvidos no meio de um mundo podre, se Falstaff está em meio à difícil disputa do trono inglês em “Badaladas à meia-noite / Chimes at Midnight” (1965) ou se César Bórgia ordena assassinatos a seu bel-prazer em “O favorito dos Bórgia / Prince of the foxes” (1949); Orson Welles continua uma referência em vários gêneros, não apenas no crime, e se ele tirou da vida real inspiração para a parte mais sangrenta do mundo cinematográfico, jamais saberemos. 


This is my entry to the Scenes of the Crime blogathon, hosted by Furious Cinema. Bang!
Só escolhi este banner porque gosto muito de "Os intocáveis" (1987)
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